Sexta-feira, 27/06/2008
Ano VIII – edição 324

Todas as informações abaixo são de responsabilidade dos respectivos canais de informação, conforme as fontes citadas.

Agronegócios

Louis Dreyfus assina acordo para capitalizar Agrenco
Valor Online
25/06/2008

SÃO PAULO - A Agrenco, que viu suas ações quase virar pó no final da semana passada depois que os controladores foram presos em operação da Polícia Federal, anunciou hoje uma parceria para ajudar a reduzir seu endividamento.

A Agrenco e o grupo francês Louis Dreyfus Commodities (LDC) assinaram um Memorando de Entendimentos que trata sobre um aumento de capital na companhia, e também busca fornecer uma alternativa de financiamento estável no curto prazo.

Pelo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o acordo contempla uma série de medidas, como um aumento de capital no valor de US$ 33,521 milhões, seja por meio de um empréstimo conversível em ações, seja por meio de aumento do capital social da Agrenco Holding. Após a capitalização, a LDC será a principal acionista da holding. Essa fase da operação proposta não afetará ou diluirá qualquer um dos acionistas da Agrenco.

Outra medida é um aumento de capital da Agrenco Limited, com respeito ao direito de preferência aos acionistas, através da emissão de novas ações, no valor de US$ 65 milhões, das quais a LDC subscreverá, no mínimo, US$ 33,521 milhões. Essa operação tem duas estruturas propostas. Pela primeira, seriam emitidas 77.380.952 ações ordinárias a US$ 0,84 cada. A outra opção prevê a emissão de 92.857.143 ações ordinárias, com 30.952.381 bônus de subscrição anexados a elas. O preço de subscrição seria de US$ 0,70 cada. O preço do exercício do bônus de subscrição ficaria em US$ 1,25 por bônus, com prazo de o vencimento em três anos.

A operação também prevê um empréstimo conversível em ações de emissão da companhia, a ser concedido pela LDC, com prazo de 5 anos e taxa de juros de 7,75%, no valor de US$ 35 milhões, preservando o direito de preferência dos acionistas minoritários, para optar por subscrever ações da companhia, quando da conversão do empréstimo, ao mesmo preço que a LDC. A conversão do empréstimo será feita ao mesmo preço por ação do aumento de capital da Agrenco.

As companhias também buscarão uma linha de crédito rotativa no valor de US$ 150 milhões com prazo para vencimento de pelo menos 3 anos.

O comunicado também afirma que a proposta está sujeita a algumas condições como: viabilidade legal, a ausência de uma oferta pública de aquisição para os acionistas da companhia, a não ocorrência de um evento de insolvência ou falência em relação à Agrenco, as aprovações societárias necessárias e a diligência de contas.

A Agrenco, com sede nas Bahamas e atuação no agronegócio brasileiro, chegou à Bovespa em outubro do ano passado com suas ações valendo R$ 10,40. O último negócio realizado com o papel, na sexta-feira, apontava a ação a R$ 1,25.

Mercado acionário deve ser principal financiador da maior aquisição da Marfrig
Valor Online
23/06/2008

SÃO PAULO - No dia em que anunciou a maior aquisição de sua história, o frigorífico Marfrig se mostrou inclinado a utilizar o mercado acionário como principal fonte dos recursos que serão levantados para o pagamento da transação. A despeito do cenário mundial ainda turbulento, o diretor de relações com investidores da companhia, Ricardo Florence, disse hoje a jornalistas que " faz todo sentido uma operação baseada em equity " .

A compra de 15 unidades do grupo norte-americano OSI, instaladas no Brasil e na Europa, foi fechada por um valor inicial de US$ 680 milhões. Desses, US$ 280 milhões serão pagos mediante uma emissão de novas ações ordinárias da Marfrig, a ser realizada quando da conclusão da operação, o que deve ocorrer apenas no último trimestre deste ano.

Somente para essa parte da operação, a empresa poderá ter de emitir cerca de US$ 376 milhões em ações, visto que a oferta terá que se estender aos papéis em circulação no mercado (free float), que representam 34,3% do capital da empresa.

Para os US$ 400 milhões restantes, que segundo a Marfrig serão pagos em dinheiro, o formato da operação ainda não foi definido, mas deverá passar também por um aumento de capital. A dúvida é em que proporção. Segundo Florence, uma das alternativas é uma combinação entre emissão de ações e a utilização do caixa. " Apesar disso, ainda estudamos o melhor formato de operação " , reforçou o executivo.

O valor do negócio, entretanto, poderá chegar ao total de US$ 900 milhões, a depender do desempenho das empresas adquiridas nos próximos três anos. Florence explicou que a velocidade do crescimento da produtividade dessas plantas será o balizador da realização ou não do desembolso extra.

(Murillo Camarotto | Valor Online)

Ação da SLC Agrícola sai a R$ 27,50; oferta movimenta R$ 321 milhões
Valor Online
26/06/2008

SÃO PAULO - O investidor que tomou parte na nova oferta de ações da SLC Agrícola vai pagar R$ 27,50 por papel, cifra 1% inferior ao preço de fechamento de ontem do papel na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Com isso, a distribuição primária e secundária da companhia movimentou R$ 321 milhões. As novas ações começam a ser negociadas amanhã, sob o código SLCE3

A demanda de pessoas físicas foi forte, resultando em rateio na oferta de varejo. De acordo com dados da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), os pedidos de reserva de investidores não institucionais com prioridade de alocação foram integralmente atendidos até R$ 19.992,50, o que equivale a 727 ações. Sob o valor de reserva restante foi aplicado o fator de rateio de 80%. Os investidores sem prioridade de alocação foram integralmente atendidos até R$ 4.977,50, o que equivale a 181 ações. Como a demanda verificada superou em um terço às ações ofertadas, os investidores vinculados foram excluídos da oferta.

Um ano depois de sua chega ao Novo Mercado, a SLC retornou em busca de recursos para adquirir terras e assim expandir sua área cultivada, investir em melhorias de solo e comprar máquinas e equipamentos.

De acordo com o anúncio de início, foram distribuídas 11.673.913 ações ordinárias, sendo 9.397.500 em oferta primária e 2.276.413 de titularidade do acionista vendedor, a SLC Participações. A oferta ainda pode ser acrescida de lote suplementar de 15%, já registrado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) elevando o montante da oferta para R$ 369 milhões.

Fundada em 1977, a SLC Agrícola é uma dos maiores produtores agrícolas brasileiros em termos de área cultivada, com aproximadamente 170 mil hectares no ano-safra 2007/2008. O foco de atuação são as culturas de algodão, na qual é a segunda maior do Brasil, soja e milho. As plantações estão espalhadas em nove unidades de produção localizadas em cinco estados brasileiros.

No primeiro trimestre de 2008, o lucro líquido da companhia cresceu 336,4%, totalizando R$ 29,2 milhões. A receita líquida somou R$ 75,818 milhões, com crescimento de 24%.

Por meio da SLC Participações e da Evaux Participações a Família Logemann detém 60,9% da SLC Agrícola, sendo que os 39,1% restantes estão em poder do mercado. Com a oferta secundária, a SLC Participações reduzirá sua fatia de 36,9%, para 31% da companhia, e o free float subirá para 47,2%, já considerando a participação de 5% do fundo BlackRock na companhia.

A SLC Agrícola entrou para o Novo Mercado em junho do ano passado com uma oferta primária e secundária que movimentou R$ 490 milhões. Ao todo, foram distribuídas 35.003.125 ações ordinárias a R$ 14 cada.

(Eduardo Campos | Valor Online)

Alimentos

Fleischmann cresce 19% com produtos para consumidor final
Gazeta Mercantil
27/06/2008

São Paulo - De 1931 até 2003, a Fleischmann teve sua imagem atrelada apenas ao fermento de pão no Brasil. Mas a situação tem mudado muito nos últimos anos. Desde que colocou no mercado sua linha para o consumidor final, que conta com misturas para bolos e pães, além de fermento químico, há cinco anos, as vendas dos tradicionais fermentos biológicos para padarias e restaurantes tem perdido cada vez mais espaço na empresa. Com o objetivo de ampliar as vendas dessas novas áreas ainda mais, a empresa acaba de finalizar a expansão da linha de produção de misturas para bolos. Além disso, lançará uma linha de sobremesas à base de ovos em setembro e também pretende expandir a empacotadora da fábrica de Pederneiras (SP) - que trabalha perto do limite -, até o fim do ano.

Com a estratégia, os produtos de consumo devem terminar este ano fiscal, encerrado em junho, respondendo por cerca de 35% do faturamento, 15% acima do registrado no ano anterior.
O fermento biológico, ainda o principal produto, representa os 65% restante. No entanto, como o mercado desse produto está estagnado, as atenções da empresa estão voltadas para a ampliação da linha de consumo. E a compra da Sóhovos, em dezembro de 2005, foi um importante passo nesse sentido, segundo Niva Sesana Gomes, gerente de marketing da AB Brasil, subsidiária do grupo inglês Associated British Foods (ABF) - detentora da Fleischmann no País.
A nova linha de sobremesas que a empresa pretende lançar será à base de ovos e produzida na fábrica da Sóhovos, em Sorocaba - que produz apenas ovos processados até agora.

O Brasil ainda representa pouco dentro do grupo. O ABF terminou o último ano fiscal, em junho de 2007, com receita de US$ 13,4 bilhões. A operação brasileira fechou o mesmo período com faturamento de R$ 219 milhões, sendo R$ 44 milhões da Sóhovos. A AB Brasil encerrará este ano fiscal com faturamento de R$ 260 milhões, R$ 60 milhões em vendas da Sóhovos.
A Fleischmann trocou de mãos algumas vezes na última década. Em 2002, a australiana Burns Philp adquiriu a empresa da Kraft Foods. Em 2004, a ABF comprou a Burns Philp e ficou com a marca Fleischmann e com a Mauri, pertencente à australiana e que também está presente no Brasil. O grupo ABF ainda possui as marcas Ovomaltine - com produção terceirizada pela Liotecnica no País - e os chás Twinings, que chegam ao Brasil através de importação. No país de origem, o grupo tem forte atuação no setor varejista com a rede de lojas Primark, e também atua na produção de commodities como açúcar.
Segundo Niva, o ABF está atento à oportunidades de negócios no Brasil, inclusive aquisições. No entanto, o foco da atuação deve ser ativos de fabricação de produtos de alto valor agregado, como a Sóhovos. "A empresa não tem interesse em ampliar a atuação em outros mercados de commodities", disse Niva.

Estratégia
Atualmente, a AB Brasil possui 135 distribuidores para os pontos-de-venda de food service (padarias, restaurantes, etc) e 35 para a varejo, que distribui apenas os itens da linha chamada "consumo". "Chegamos a 80% do mercado de padarias, o que representa cerca de 52 mil unidades de rua e 8 mil de supermercados", disse.
Segundo Niva, a estratégia para o próximo ano é ampliar a atuação nos varejos de pequeno e médio portes. "Temos uma presença forte nas grandes redes varejistas, mas ainda não estamos nos pequenos e médios, aqueles com até cinco caixas", disse. "Vamos começar pelo médio. O aumento do portfólio ajudará bastante nas negociações." No último ano, a linha de consumo ganhou 15 novos itens, totalizando 45 produtos até agora.
Niva afirmou que a empresa não podia investir nesses pontos-de-venda em virtude da falta de capacidade. "Agora resolvemos o problema de capacidade de produção de misturas", afirmou.

Preço
Apesar da alta do preço da farinha de trigo, que registrou sucessivos recordes no último ano, Niva afirmou que os repasses não terão grande impacto nos preços finais dos produtos. "Nós repassamos uma pequena parte. Em teoria teríamos que ter repassado mais. Foi um impacto violento. A farinha aumentou 80%", disse. Apesar disso, a executiva contou que o reajuste ficou restrito às misturas de bolo e pão, que foram reajustadas em 7%. A empresa não definiu como será até o final do ano. "Os reajustes podem acontecer sem programação, não posso dizer que não teremos."
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 4)(Wilson Gotardello Filho)


Sadia fecha compra da Excelsior Alimentos por R$ 6,6 milhões

Valor Online
26/06/2008

SÃO PAULO - A Sadia anunciou hoje a conclusão do compromisso de compra firmado em 18 de janeiro com os sócios cotistas da Baumhardt Comércio e Participações, controladora da Excelsior Alimentos.

Pelo controle da companhia gaúcha, com sede em Santa Cruz do Sul, a Sadia pagou R$ 6,6 milhões, e levou um parque industrial abrangendo uma fábrica de produtos alimentícios, com frigorífico próprio.

Segundo comunicado da Sadia, a Excelsior tem capacidade anual de produção de 16,2 mil toneladas de produtos industrializados, 320 empregados diretos e o seu faturamento bruto de 2008 deverá atingir cerca de R$ 61 milhões.

Pelos termos do acordo, por R$ 5,425 milhões a Sadia levou 73,9% do capital da Baumhardt Comércio e Participações, empresa que detém 80,0% das ações ordinárias e de 43,67% do capital social da Excelsior Alimentos S.A.. Do total pago, R$ 969 mil ficaram retidos em uma conta depósito para garantia de futuras contingências.

A Sadia também pagou outros R$ 1,218 milhão por 271.945 ações ordinárias de emissão da Excelsior, representativas de 9,1% do capital total e 16,6% do capital votante da companhia, de acionistas relacionados. O preço pago por cada uma dessas ações foi de R$ 4,84, o que representa 80% do preço por ação pago aos sócios da Baumhardt.

A Sadia também informou que submeterá à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) registro para oferta pública obrigatória para aquisição de ações ordinárias da Excelsior que estão em circulação. O preço será de R$ 4,48 por ação, valor equivalente a 80% do preço de R$ 5,60, por ação, pago aos sócios da Baumhardt.


Comércio Exterior

Balança comercial tem saldo positivo superior a US$ 10 bilhões no acumulado do ano
Valor Online
23/06/2008

SÃO PAULO - De janeiro até o dia 22 de junho, com 117 dias úteis, a balança comercial brasileira registra saldo positivo de US$ 10,156 bilhões. Em mesmo período do ano passado, com três dias úteis a menos, o superávit comercial tinha sido de US$ 18,483 bilhões.

Conforme levantamento do ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), as exportações totalizaram US$ 84,838 bilhões do início deste ano até a terceira semana de junho, média de US$ 725,1 milhões por dia útil. As importações ficaram em US$ 74,682 bilhões, média de US$ 638,3 milhões por dia útil.

Em igual intervalo de 2007, as vendas externas corresponderam a US$ 66,558 bilhões e as compras, a US$ 48,075 bilhões.

Construção


Votorantim investe R$ 50 milhões em logística

Valor Econômico
27/06/2008

SÃO PAULO - Em meio a um agressivo processo de expansão que consumirá um total de R$ 2 bilhões até 2010 e ampliará em 8 milhões de toneladas sua capacidade de produção, a Votorantim Cimentos inicia agora uma ampliação em sua rede de centros de distribuição (CD) em todo o Brasil. Entre o segundo semestre deste ano e meados de 2009, a companhia pretende colocar em operação 10 novos CDs em quase todas as regiões do país.

A nova expansão está sendo realizada para dar conta de uma demanda crescente no país que, em alguns momentos do ano passado, chegou a pegar a companhia desprevenida. Ao todo serão investidos R$ 50 milhões nos novos centros de distribuição. Em 2007, foram erguidas dez unidades e neste ano mais cinco, como o CD de Campinas inaugurado ontem, que custou R$ 6 milhões.

Os novos CDs estão sendo construídos para conseguir dar vazão à uma produção que cresce de forma consistente e também abrupta em quase todas as regiões do país. Desde agosto de 2007, a Votorantim ampliou em 2 milhões de toneladas sua capacidade de produção, volume 12% superior às mais de 17 milhões de toneladas de cimento que a empresa colocou no mercado no ano passado. " A capilarização de nossa produção e de nossa distribuição é fundamental num país das dimensões do Brasil e num momento em que o consumo do cimento está crescendo a taxas de 10% ao ano " , afirma Fred José Fernandes, diretor de logística integrada.

O cimento é um produto extremamente sensível à distâncias geográficas e à estoque. De baixo valor agregado, o frete no transporte do cimento encarece de forma substancial o preço final do produto. " Quando precisamos envia-lo para locais distantes da produção, o preço do transporte é maior que o custo de produção " , afirma Fernandes. Além disso o cimento tem uma vida útil extremamente curta. Após sair da fábrica, se conservado em condições ideais de temperatura e umidade, o cimento pode ser estocado por no máximo 60 dias. Após esse prazo fica impróprio para o consumo.

Por conta dessas particularidades, a Votorantim acredita que a distância máxima de transporte do cimento seja de 150 quilômetros. Mas nem sempre isso é possível em um país de dimensões continentais como o Brasil. Por conta disso, boa parte dos novos centros de distribuição, que a Votorantim não revela onde serão instalados, devem ser divididos entre a região nordeste e o Sudeste. " Mas teremos algo no Centro-Oeste, que vem crescendo bastante " , diz Fred.

A estratégia de capilarização da Votorantim é parte de um amplo projeto que começou a sair do papel em meados do ano passado, quando a companhia percebeu que o crescimento da demanda registrado em 2006 se tornou de fato consistente em 2007. Apesar de ter uma capacidade de produção de 25 milhões de toneladas, a companhia tinha, no ano passado, uma capacidade efetiva muito próxima do que estava produzindo naquele momento. " Muitos fornos estavam desligados, algumas unidades estavam fora de operação, reflexo de longos anos de retração no setor " , diz Marcelo Chamma, diretor comercial da Votorantim.

A VC vai construir, ampliar e reativar 12 unidades até 2010, o que representará um incremento de 8 milhões de toneladas. Com a expectativa de um crescimento de 12% no consumo este ano, ou 50 milhões de toneladas no país, a empresa acredita que conseguirá atender o mercado sem os problemas pontuais ocorridos em 2007. " Estamos confiantes que vamos dar conta da demanda este ano, mas será no limite " , diz Chamma.

(Yan Boechat | Valor Econômico)

Cyrela paga R$ 1,5 bilhão para incorporar a Agra
Valor Econômico
23/06/2008

SÃO PAULO - A Cyrela, maior incorporadora do país, fechou ontem um acordo para comprar a Agra. Pelos termos acertados, que envolvem a troca de ações das duas empresas, a Cyrela pagará cerca de R$ 1,5 bilhão pela aquisição. A operação é a primeira de peso na esperada onda de consolidação do setor de incorporação imobiliária residencial. No início do mês, a Abyara fechou a venda da sua área de corretagem imobiliária para a BR Brokers. A própria Cyrela chegou a manter negociações com a Abyara.

Há 21 empresas do setor com ações na bolsa brasileira, o dobro do que existe nos Estados Unidos. Muitas delas não estão em boa situação financeira, precisando de capital para desenvolver os projetos em cima dos terrenos que compraram com o dinheiro obtido na bolsa. Além disso, muitas empresas de menor porte não conseguiram acessar o mercado de capitais e estão em situação semelhante, abrindo espaço para a consolidação. Outras aquisições estão andamento, segundo fontes do setor.

O valor de R$ 1,5 bilhão representa um prêmio de cerca de 20% sobre a cotação média das ações da Agra nos últimos 60 dias. Mas esse prêmio se amplia significativamente quando se olha para um período mais curto de tempo, mostrando que as ações da Agra vinham em franco declínio. Em relação ao preço das ações na sexta-feira, o prêmio é de quase 50%, quando o valor de mercado da Agra ficou em R$ 1,04 bilhão. A Cyrela fechou valendo R$ 7,984 bilhões na sexta.

Segundo comunicado de fato relevante, depois de realizar as auditorias necessárias, a Cyrela fará um aumento de capital. Os acionistas da Agra receberão 0,425 ação da Cyrela para cada ação que possuem hoje.

Facilitou o acordo o fato de a Cyrela, do empresário Elie Horn, já deter hoje quase 20% da Agra, a maior participação depois dos próprios controladores da empresa - a Agra Incorporadora e a Granti, uma holding formada por pessoas físicas. Antes da abertura de capital da Agra, a fatia da Cyrela era de 42,5% e isso fez com que analistas e investidores considerassem a companhia como uma espécie de " Cyrelinha " , a um preço muito mais barato. Por conta dessa associação com a líder do mercado, a Agra conseguiu reabrir o mercado de ações para as incorporadoras depois de duas operações mal-sucedidas que a antecederam, a da Even e a da JHSF.

(Vanessa Adachi | Valor Econômico)

Contas

Base monetária amplia-se 1% na média diária em maio
Valor Online
24/06/2008

BRASÍLIA - A base monetária (papel moeda emitido mais reservas bancárias) aumentou 1% em maio no confronto com o mês anterior, somando R$ 132,658 bilhões. Os números, divulgados hoje pelo Banco Central (BC), referem-se ao conceito de média dos saldos diários. Em 12 meses, a alta foi de 19,2%.

Pelo critério de saldos no fim do mês, a base monetária expandiu-se 6,8%, totalizando R$ 133,159 bilhões. Em 12 meses, o acréscimo ficou em 23% considerando este critério.

O saldo de papel-moeda emitido ficou em R$ 90,912 bilhões, com elevação de 1,2% no mês. As reservas bancárias subiram 21,4%, somando R$ 42,247 bilhões.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

BC prevê que entrada de investimento direto cobrirá déficit em transações correntes
Valor Online
23/06/2008

BRASÍLIA - A trajetória de aumento do déficit nas transações correntes externas em 2008, cuja projeção saiu de US$ 12 bilhões para US$ 21 bilhões, não preocupa o Banco Central (BC). "Não se espera que o crescimento seja explosivo", afirmou o chefe do Departamento Econômico, Altamir Lopes. Ele se mostrou "seguro" de que o déficit será "totalmente financiado" com investimento externo direto (IED), que também teve a estimativa elevada de US$ 32 bilhões para US$ 35 bilhões no ano.

"O que se espera é a continuidade do IED, que está fluindo bem", declarou o técnico. Em sua visão, as fortes pressões de remessas de lucros e dividendos, do saldo negativo com viagens internacionais e das aceleradas importações serão cobertas com recursos de médio e longo prazos (IED) e também pelo aporte de capital mais volátil, já que as estimativas para o investimento estrangeiro em papéis domésticos e ações subiu de US$ 12 bilhões para US$ 25 bilhões.

A se configurar a conta corrente deficitária em US$ 21 bilhões, será o pior patamar dos últimos sete anos, desde os US$ 23,2 bilhões negativos em 2001. Para junho, Lopes prevê resultado negativo de US$ 1,2 bilhão, o dobro do déficit de US$ 649 milhões registrado em maio.

O argumento da autoridade monetária é o de que apesar da conta corrente acumular déficit de US$ 14,717 bilhões de janeiro a maio e subir a US$ 15,9 bilhões em junho, o IED deve "cobrir" esse rombo já ao fim deste primeiro semestre.

Até maio isso não ocorreu, porque o IED acumulou US$ 13,984 bilhões no ano. Mas estão previstos US$ 3 bilhões para junho, dos quais US$ 2,2 bilhões já ingressaram no mês até hoje. Ou seja, o IED deve subir a US$ 16,98 bilhões ao fim deste mês.

O BC também aposta na alta das aplicações externas em renda fixa e ações, principalmente ações, por influência do selo de grau de investimento (investimento seguro) que o Brasil recebeu de duas agências de classificação de risco. "Nossa projeção é qualitativa, por já ter um volume significativo acumulado e a expectativa de atração de grandes fundos de pensão", disse Lopes.

Os registros apontam que esses chamados investimentos em portfólio acumulavam US$ 12,89 bilhões nos primeiros cinco meses do ano. No mês de junho até hoje já ingressaram US$ 1,268 bilhões para o mercado acionário e US$ 631 milhões em títulos de renda fixa, elevando o total no ano para US$ 14,7 bilhões.

Lopes sustenta ainda que a tendência é de melhora no segundo semestre, pela redução sazonal, por exemplo, das remessas de lucro e dividendos, que se concentram no início do ano e acumularam US$ 15,596 bilhões até maio. Para junho, a projeção é de que essas saídas caiam pela metade, saindo de US$ 3,238 bilhões em maio, para US$ 1,6 bilhão este mês. Do início de junho até hoje, já foram remetidos US$ 1,26 bilhão.

Outro fator favorável, segundo ele é a perspectiva de "acomodação" das importações, cujo aumento até maio foi de 46,3% sobre período igual de 2007, mas que tem projeção do BC para encerrar o ano com variação de 30,2% sobre o ano passado. As importações tiveram a estimativa elevada de US$ 155 bilhões para US$ 157 bilhões, mantendo-se as exportações em US$ 182 bilhões (+13,3%) e a consequente redução do saldo comercial para US$ 25 bilhões no ano.

Já o saldo negativo das viagens internacionais foi reestimado de US$ 4 bilhões para US$ 5 bilhões no ano, tendo registrado até maio o déficit recorde de US$ 2,014 bilhões. As despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 4,487 bilhões e as receitas de estrangeiros no país, US$ 2,473 bilhões, ambos valores históricos para o período. Em junho até hoje o fluxo líquido está negativo em US$ 472 milhões, segundo o Banco Central.

(Azelma Rodrigues | Valor Online)

Indicadores

Atividade da indústria de papel e celulose em SP cresceu em maio, com vendas 10% maiores
Valor Online
26/06/2008

SÃO PAULO - Na contramão do movimento de muitos segmentos da indústria paulista, a atividade do setor de papel e celulose no Estado de São Paulo vem dando saltos consistentes nos últimos meses e apontou, no mês de maio, um aumento de 5% em relação ao mês de abril. Segundo dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a alta foi de 2,6% quando descontados fatores sazonais. É uma evolução significativa, considerando que o índice ajustado da atividade de toda a indústria paulista no mesmo período caiu 2,4%.

O levantamento mostra ainda que o desempenho da atividade comparado ao mês de maio do ano passado foi 20,8% maior. Além disso, o setor acumula alta de 12% na atividade entre janeiro e maio deste ano e elevação de 6,5% nos 12 meses encerrados no mês passado.

"É um setor que está indo muito bem, favorecido pela alta dos preços internacionais e das exportações", explica Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas (Depecon) da Fiesp. Segundo ele, mesmo com o câmbio desfavorável, essa indústria tem conseguido sustentar uma expansão significativa da atividade e das vendas.

As vendas reais desse setor totalizaram alta de 22,7% entre janeiro e maio deste ano, no confronto com o mesmo intervalo de 2007. Só no mês de maio, a alta foi de 10% perante abril. No confronto com maio do ano passado, as vendas reais cresceram 41,8%. O setor fechou o último mês com Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) de 88,7%, nível confortável para um segmento de atividade intensiva.

(Bianca Ribeiro | Valor Online)

Siderurgia

CSN anuncia plano de montar primeira usina no Nordeste
Valor Econômico
27/06/2008

RECIFE - A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) pretende investir até US$ 6 bilhões em uma usina de 3,5 milhões de toneladas de aço por ano no porto de Suape, a 40 km do Recife. Em uma primeira etapa, a fábrica receberá US$ 1,3 bilhão de recursos e inicia produção de 500 mil toneladas/ano de aços longos, entrando em um segmento dominado pela Gerdau e ArcelorMittal.

Ontem, em uma solenidade no Palácio Campo das Princesas, na capital pernambucana, a empresa detalhou o projeto que deve instalar no Estado. De acordo com Enéas Garcia Diniz, diretor-executivo de produção da CSN, a idéia da siderúrgica é iniciar a construção da unidade daqui a um ano, com a conclusão da primeira etapa prevista para 30 meses depois. As outras duas etapas do empreendimento devem ser concretizadas em seis anos.

Da fábrica em Suape sairão de vergalhões a parafusos e telas. Inicialmente, segundo Diniz, o objetivo é abastecer o mercado nordestino com esses produtos. " O crescimento da região foi um dos pontos levados em consideração pela CSN ao optar por Pernambuco " , explica o executivo, que também está de olho no estaleiro Atlântico Sul, instalado ao seu lado no porto de Suape.

As matérias-primas para a produção do aço - carvão de diversas partes do mundo e minério de ferro da mina Casa de Pedra, em Minas Gerais - chegarão à unidade por um porto privativo que será erguido em Suape. A unidade será suprida quase que totalmente com energia gerada em uma termoelétrica da siderúrgica, a partir do carvão, dos auto-fornos e da aciaria.

O empreendimento ainda está numa fase bastante inicial, sem um projeto executivo finalizado. A pressa em anunciá-lo se deve ao fato de a reforma tributária do deputado federal Sandro Mabel (PR-GO), que está em andamento, barrar a concessão de incentivos fiscais estaduais para a atração de investimentos privados. O relator propõe que sejam aceitos os projetos aprovados até do dia 30 de junho e que os benefícios sejam válidos até o ano de 2020.

No fim da tarde, a assessoria de imprensa da CSN informou que " apenas foi firmada uma carta de intenção para iniciar estudos de análise de viabilidade para investimento em uma usina de aço em Pernambuco " . Até às 21 horas, a CSN não havia comunicado sua intenção de investimento à Comissão de Valores Mobiliários.

Para acelerar a decisão da empresa de abrir uma nova siderúrgica em Pernambuco - que deverá também contemplar produção de aços planos no futuro -, o governo estadual também enviou à Assembléia Legislativa um projeto de lei que dá 95% de desconto no ICMS à CSN caso o projeto de investimento seja aprovado.

Ao abrir mão desse imposto, o governador Eduardo Campos (PSB) afirmou que está interessado em toda a cadeia produtiva que a siderúrgica pode atrair ao Estado. " Cria um incentivo à vinda de montadoras e fabricantes de aparelhos de linha branca. " A própria CSN sinalizou que pode trazer novos empreendimentos do grupo ao Estado, como uma fábrica de cimento. No momento, a empresa instala uma cimenteira em Volta Redonda (RJ).

Hoje, o maior projeto que a CSN tem em Pernambuco é a ferrovia Transnordestina, que caminha a passos lentos. Segundo Diniz, ela poderá vir a ser usada para fazer o escoamento da produção. No Rio, a CSN trava uma queda de braço com o governo por incentivos para fazer uma usina em Itaguaí (RJ)

Uma outra siderúrgica, da espanhola Celsa, ainda tem uma carta de intenções assinada com o governo pernambucano para construir uma planta também no complexo portuário e industrial de Suape. O governador pernambucano acredita, porém, que ela deva desistir do projeto diante da chegada da CSN.

(Carolina Mandl | Valor Econômico)

Rio Tinto vai emitir US$ 5 bilhões em bônus para pagar dívidas de compra da Alcan
Valor Online
24/06/2008

SÃO PAULO - A mineradora Rio Tinto vai emitir US$ 5 bilhões em bônus para refinanciar dívidas. De acordo com agências noticiosas, serão emitidos notes com vencimento em 5, 10 e 20 anos.

US$ 2,5 bilhões serão lançados no vencimento mais curto, em 2013, com juro nominal (cupom) de 5,875% ao ano. Como os papéis saíram abaixo do valor de face, o retorno final ao investidor (yield) será de 5,961% anuais.

Outros US$ 1,75 bilhão serão emitidos em títulos com vencimento em 10 anos. O juro nominal é de 6,5% e o final, de 6,619% ao ano.

Os títulos com vencimento em 20 anos somarão US$ 750 milhões e taxa nominal de 7,125%. O yield será de 7,189%.

Os recursos serão usados para bancar os débitos com bancos derivados da aquisição da Alcan, feita no ano passado.


Tecnologia

Quatro empresas de TI criam instituto para promover propaganda em contas e extratos bancários
Valor Online
26/06/2008

SÃO PAULO - Os anúncios publicitários estão prestes a invadir novos espaços, incorporando-se a documentos importantes, como extratos de cartões de crédito e contas de bancos. Fomentar a integração de informações "transacionais" - como as movimentações financeiras apresentadas em extratos - e "promocionais" - propagandas comuns - é o objetivo de um instituto recém formado no país, o TransPromo.

Os avanços atuais na tecnologia de impressão, assim como a redução nos custos desse serviço, permitem gerar receita com comunicados obrigatórios, que até então representavam apenas custos, além de poder elevar a relevância da publicidade para cada consumidor. A possibilidade de se cruzar dados de comportamento com anúncios relevantes e entregá-los de forma direta, explicam os integrantes do instituto, abrem diversas possibilidades de receita, desde que o sistema seja formatado corretamente.

Lançado no último Ciab, maior feira do setor bancário do país, o instituto é formado por quatro empresas: a desenvolvedora suíça de softwares GMC, a Hewlett Packard (HP) e as empresas de impressão BMK e Print Laser. Seu papel no âmbito do instituto é divulgar a integração de publicidade e informações transacionais e prestar uma espécie de consultoria aos clientes - avaliando suas necessidades e interesses para a implantação desse sistema. A partir disso, indicam equipamentos e serviços umas das outras para suprir a demanda do cliente interessado.

Até o momento, nenhum contrato foi firmado, embora as parceiras digam que o retorno, em matéria de contatos prévios, tenha sido muito positivo.

"Já temos conversas para o início de planos pilotos. Acredito que em até dois meses já haverá algo de concreto", afirma o presidente da BMK, Eduardo Conde. "Já temos equipamentos chegando ao país, máquinas caras, e não faz sentido econômico ficar com elas paradas sem atividade. Temos que ser como o Eike Batista: vendemos a idéia, depois começamos a produzir", afirmou.

De acordo com o executivo, a implantação de um parque gráfico totalmente adaptado para atender a demanda nessa nova mídia tem custo de cerca de US$ 10 milhões. Isso, porém, virá com o tempo, e os investimentos serão escalonados, seguindo o crescimento da procura dos clientes.

A parte gráfica, porém, é apenas um elo na cadeia de suprimentos para atender esse novo meio de publicidade. Para que seja interessante o investimento em documentos mais caros, coloridos e personalizados, é importante que a mensagem publicitária seja corretamente direcionada a cada cliente. Esse é o papel de softwares de cruzamento de dados como os desenvolvidos pela GMC. Analisando individualmente os perfis de cada consumidor, a partir de banco de dados cadastrais - como os de uma operadora de cartões de crédito - esses programas desenvolvem publicidade especificamente relevante para cada pessoa que receberá o comunicado.

"Nosso público alvo inicial são os bancos e outras instituições financeiras, depois outros segmentos, como o varejo. Nesse primeiro momento, creio que os testes começarão com publicidade interna dos próprios bancos. Depois é que veremos uma abertura para outros anunciantes em documentos como extratos e saldos", afirma o gerente comercial da GMC no Brasil, Adriano Cardoso.

Segundo ele, o novo sistema representa uma situação em que todos ganham: o anunciante, que terá acesso ao banco de dados privilegiado do parceiro (varejistas usando o cadastro de bancos e vice-versa), o parceiro que poderá gerar receita com comunicados que até então representavam apenas custos e o consumidor, que terá em mãos publicidade mais relevante.

Nenhuma das empresas sente que o cruzamento de informações transacionais e promocionais seja prejudicial à privacidade do consumidor. Segundo elas, o bombardeamento de publicidade é algo que veio para ficar e, com sistemas que possam aumentar o nível de relevância das propagandas, elas podem ser até mais interessantes para o consumidor e, assim, não incomodá-lo tanto.

De acordo com o Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), a princípio não caberia a ela julgar se essa nova mídia é ou não invasiva demais. "O Conar se preocupa principalmente com o conteúdo da publicidade, não com o meio em que é veiculada", diz o diretor de Marketing do Conar, Antonio Dias. "Mas é claro, aparecendo uma nova mídia como essa, o Conar faria sua fiscalização, mas muito centrada no conteúdo", acrescenta.

(José Sergio Osse | Valor Online)

Gartner estima que já haja, em uso, um computador para cada seis pessoas no planeta
Valor Online
24/06/2008

SÃO PAULO - Hoje há, no mundo, cerca de 1 PC para cada 6 habitantes do planeta. São mais de 1 bilhão de computadores para uma população de cerca de 6 bilhões de pessoas. À taxa atual de crescimento, de 12% ao ano, o número de PCs deve dobrar para 2 bilhões já no início de 2014, diz levantamento da consultoria Gartner.

Segundo a pesquisa, porém, a base instalada de PCs - que difere ligeiramente do número de computadores vendidos - está concentrada principalmente em mercados mais desenvolvidos. Ainda assim, os emergentes têm elevado significativamente suas fatias na base instalada total. Essa é, diz o Gartner, uma tendência que deve se manter, dado o alto ritmo de penetração dos PCs nesses mercados e que permanece a taxas fortes, de dois dígitos.

"Mercados maduros como os EUA, a Europa Ocidental e o Japão hoje respondem por 58% da base instalada mundial de computadores, mas esses mercados reúnem apenas 15% da população mundial", disse o diretor de Pesquisa do Gartner, George Shiffler. "Há uma grande diferença na penetração de PCs per capita entre mercados maduros e emergentes. Mas o rápido desenvolvimento econômico dos mercados emergentes não está apenas diminuindo a disparidade no padrão de vida médio, está também reduzindo a diferença da penetração de PCs per capita entre eles", acrescentou.

Segundo Shiffler, o Gartner prevê que a penetração per capita de PCs dobre nos mercados emergentes em 2013. Ele afirma que o rápido aumento na penetração dos computadores nesses países se deve à expansão "explosiva" na conectividade de banda larga e sem fio, à queda contínua nos preços médios de venda dos PCs e à percepção geral de que o PC é uma ferramenta indispensável para o desenvolvimento.

"Os governos de mercados emergentes também estão cada vez mais compromissados em reduzir a exclusão digital promovendo o uso do PC entre seus cidadãos de variadas formas, incluindo o fornecimento de computadores diretamente aos menos abastados", diz o vice-presidente de Pesquisa do Gartner, Luis Anavitarte. "Embora os mercados maduros respondam por pouco menos que 60% do primeiro bilhão de PCs instalados, acreditamos que os mercados emergentes serão responsáveis por 70% do próximo bilhão de computadores instalados", acrescentou.

De acordo com o método do Gartner, a base instalada de PCs está constantemente sendo substituída, na medida que usuários trocam suas máquinas usadas por outras novas. Alguns desses computadores voltam à base, sendo vendidos como PCs de segunda mão. Outros são reciclados, mas alguns são simplesmente descartados.

"Prevemos que pouco mais de 180 milhões de PCs - cerca de 16% da base instalada existente - será substituída neste ano", afirma o analista de pesquisa da consultoria, Meike Escherich. "Estimamos que um quinto desse volume, ou cerca de 35 milhões de PCs, serão jogados fora com pouca ou nenhuma preocupação com seu conteúdo tóxico", diz.

Segundo o Gartner, o descarte de computadores usados tem se tornado um assunto importante para fabricantes, governos e grupos ligados ao meio ambiente. A consultoria acredita que esse tema será particularmente importante nos mercados emergentes à medida que o número de PCs descartados cresce com a ampliação de sua base instalada de computadores.

(José Sergio Osse | Valor Online)

Transportes

Caterpillar anuncia aquisição da brasileira MGE, do setor ferroviário
Valor Online
24/06/2008

SÃO PAULO - O grupo norte-americano de equipamentos de construção Caterpillar anunciou hoje que chegou a um acordo para a aquisição da empresa brasileira MGE Equipamentos & Serviços Ferroviários, especialista em produção e reforma de locomotivas e vagões, além da fabricação e manutenção de motores de tração.

O negócio, que não teve o valor divulgado, viabilizará a primeira planta da Caterpillar fora da América do Norte, segundo informou Carlos Roso, diretor-executivo da MGE, empresa que faturou US$ 30 milhões no ano passado e que espera cerca de US$ 39 milhões para este ano. "Eles (Caterpillar) vieram para o Brasil por causa das perspectivas de crescimento do mercado nacional e sul-americano", disse o executivo.

A MGE será parte da divisão de serviços ferroviários da Caterpillar. Roso informou que a administração e o nome da empresa brasileira, fundada em 1991, permanecerão inalterados. A MGE possui duas unidades no Estado de São Paulo, sendo uma em Diadema e outra em Hortolândia. A capacidade anual de produção está hoje em cerca de 120 locomotivas e 20 trens unidades.

O vice-presidente da Caterpillar, Billy Ainsworth, disse em nota que a aquisição da MGE é "um passo importante para a estratégia de crescimento da divisão ferroviária no mercado internacional". Atualmente, essa área da Caterpillar, sediada no Alabama (EUA), opera em mais de 110 localidades e conta com 4,625 mil funcionários nos Estados Unidos, México e Canadá.

"O crescimento continuado do nosso serviço é parte importante da visão estratégica da Caterpillar para 2020, e a aquisição da MGE é um primeiro passo lógico para a expansão da nossa divisão ferroviária e para o sucesso desse negócio fora do mercado da América do Norte", completou Steve Wunning, presidente do grupo Caterpillar.

(Murillo Camarotto | Valor Online e Guilherme Manechini | Valor Econômico)

Brasil e EUA modificam acordo bilateral para aumentar em 50% número de vôos entre os países
Valor Online
27/06/2008

SÃO PAULO - O Brasil e os EUA fecharam um acordo para aumentar em cerca de 50% o número de vôos entre os dois países. Além de elevar o volume de tráfego aéreo permitido, os dois governos ainda eliminaram as restrições que limitavam o número de companhias aéreas que poderiam operar rotas entre suas cidades.

Até a assinatura do novo acordo, apenas quatro companhias de cada lado poderiam operar rotas entre eles. Embora no Brasil apenas a TAM operasse esses trechos, do lado norte-americano, American Airlines, Continental Airlines, Delta Air Lines e United Airlines ofereciam a ligação entre os dois países.

Pela nova redação do acordo bilateral, passam a ser permitidos 154 vôos semanais entre Brasil e EUA, contra os 105 autorizados anteriormente. O aumento, porém, será em algumas etapas entre o mês que vem e outubro de 2010.

O acordo ainda vai permitir que as empresas norte-americanas possam estabelecer vôos diretos para cinco novas cidades brasileiras, duas das quais - Fortaleza e Curitiba - já foram selecionadas.

De ambos os lados, as companhias nacionais também poderão oferecer vôos em esquema de code share (parceria operacional) com empresas com as quais tenham acordo do tipo, mesmo que sejam operadores de um terceiro país.

No segmento de carga, os vôos semanais poderão aumentar imediatamente dos 24 atuais para 35. Até 2010, esse número deve ser elevado para 42, assim como o número permitido de operadoras de transporte de carga aérea.

"Esse acordo vai ajudar as empresas aéreas a atender a crescente demanda por serviços de transporte aéreo de passageiros e carga entre os EUA e o Brasil", disse a secretária dos Transportes dos EUA, Mary Peters. "Agora mais do que nunca, é crucial que ofereçamos às empresas dos EUA toda oportunidade possível para competir e ser bem sucedidas nos locais para os quais querem voar seus passageiros", completou.

(José Sergio Osse | Valor Online)


TAM recebe mais dois aviões Airbus A320 e passa a operar frota de 108 aeronaves

Valor Online
26/06/2008

SÃO PAULO - A TAM anunciou ter recebido mais duas aeronaves A320. Os aviões serão incorporados à frota da companhia brasileira, que agora passa a ser de 108 aviões, sendo 105 fabricados pela européia Airbus. Os outros três são modelos MD-11, em uso pela empresa enquanto a americana Boeing não entrega os 777-300ERs adquiridos por ela, o que deve começar a ocorrer neste ano.

Desde o início de 2008, a TAM padronizou sua frota de aeronaves domésticas, utilizando exclusivamente aparelhos fabricados pela Airbus. Os MD-11 são utilizados nas rotas internacionais de longo curso, o que ocorrerá também com os 777s.

O plano da TAM é encerrar este ano com 123 aeronaves em operação. Para o final de 2012, serão 147 aviões na frota da companhia. Ainda neste exercício, a empresa deve receber dois Boeing 767-300, obtidos por meio de leasing operacional. Originalmente, a empresa não planejava utilizar esse modelo de aeronave, mas decidiu aproveitar uma oportunidade de negócio para se beneficiar do momento de crescimento no mercado internacional.

(José Sergio Osse | Valor Online)

Cade aprova venda da Varig à Gol
Agência Brasil
25/06/2008

BRASÍLIA - Mais de um ano após a venda da empresa de transporte aéreo de passageiros Varig (atual VRG Linhas Aéreas) à companhia Gol, a negociação obteve hoje (25) a aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia vinculada ao Ministério da Justiça e responsável pela fiscalização, prevenção e apuração de abusos de poder econômico, analisando fusões, incorporações e associações entre empresas.

Segundo a assessoria do Cade, além da venda à Gol, os conselheiros julgaram uma cláusula do contrato que estabelecia restrições à concorrência entre Gol e VarigLog. Pelo acordo, a Gol não poderia operar no mercado de transporte aéreo de cargas por um prazo de cinco anos a partir da compra da Varig. A VarigLog, por sua vez, não entraria no setor de transporte aéreo de passageiros.

De acordo com a assessoria do Cade, os conselheiros entenderam que a negociação envolvendo a Unidade Produtiva da Varig, dedicada exclusivamente ao transporte de usuários, não poderia criar limitações à livre concorrência no setor cargueiro. Dessa forma, embora a VarigLog esteja sujeita a cumprir o acordo firmado pelas duas empresas, a Gol está livre para, se assim quiser, passar a disputar o transporte de cargas.

Os conselheiros também julgaram desnecessário que a Gol devolva parte dos slots (permissões de pousos e decolagens) que a Varig detém no Aeroporto de Congonhas, no centro de São Paulo. A assessoria do Cade confirmou que os conselheiros já haviam se reunido antes com técnicos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para verificar se, do ponto de vista da legislação aeronáutica, os slots pertenceriam ou não à empresa e se a concentração de 47% das permissões no aeroporto de maior movimento do país representaria um problema à livre concorrência.

A manutenção dos slots foi aprovada por quatro votos a um. A única divergência foi apresentada pelo conselheiro Paulo Furquim, que ponderou que a empresa devolvesse dez pares de slots a fim de equilibrar a concorrência entre as diversas companhias aéreas.

Segundo a Anac, atualmente, 498 slots são operados diariamente em Congonhas. Desses, 212 (43%) pertencem à TAM. A Gol detém 136 (27%) do total, enquanto a Varig fica com 96 (20%). Em seguida vêm a Pantanal, com 32 (6%) e a OceanAir, com 22 (4%).

A decisão do Cade diz respeito à regularidade da negociação do ponto de vista da concorrência, não tendo qualquer influência na continuidade das investigações das denúncias da ex-diretora da Anac Denise Abreu.

No início do mês, Denise acusou a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de interferência no processo de venda da VarigLog e da Varig, beneficiando o fundo de investimento norte-americano Matlin Patterson e os brasileiros Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel. Tanto Teixeira quanto Dilma negaram as acusações.
(Agência Brasil)


 

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