Sexta-feira, 26/09/2008
Ano VIII – edição 336

Samsung muda estrutura para fazer mais televisores em Manaus
Gazeta Mercantil
22/09/2008

São Paulo, 22 de Setembro de 2008 - A fábrica da Samsung em Manaus ficará dedicada à produção de eletrônicos de consumo, devido à explosão da demanda por produtos de áudio e vídeo, em especial os televisores com tela de cristal líquido (LCD). Para tanto, a fabricação de monitores está sendo migrada para Campinas (SP). Quando os produtos de áudio e vídeo da sul-coreana chegaram ao País, em 2004, a produção de telefones celulares passou para a unidade no interior de São Paulo.
"Vamos crescer 300% em unidades vendidas de TVs de LCD", disse o diretor da divisão de eletrônicos de consumo, Eduardo Mello.

"A indústria estava projetando no início do ano que iria fechar 2008 com 1,2 milhão de unidades negociadas, mas já estamos trabalhando com estimativa de 2,5 milhões", afirmou.
Em receita, o crescimento é menor devido à diminuição dos preços desses aparelhos, que chegou a 30% em um ano, segundo a empresa de pesquisas GFK. A erosão de preços, estimulada pelo aumento da escala global e pela queda do valor do dólar no último ano em relação ao real, é considerada a principal causa do crescimento da demanda por LCD. Por isso, a alta do dólar na última semana foi uma preocupação para a Samsung. Os custos da montagem no Brasil aumentariam, uma vez que os componentes são importados e os pedidos para as vendas natalinas já foram feitos.

Em sete meses até julho, a indústria de televisores produziu em Manaus 1,129 milhão de LCDs, segundo dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), frente aos 331,1 mil do mesmo período do ano passado. Com esse volume, a receita dos televisores de cristal líquido pela primeira vez superou a das com tubo de imagem, US$ 1,114 bilhão de faturamento frente a US$ 1,044 bilhão.

Em volume, o tubo continua dominando o mercado nacional, com produção mais de quatro vezes superior ao LCD (ver quadro), no período. Foram fabricadas 4,615 milhões de TVs com tubo ante 1,129 milhão de LCDs até julho último.
Mas a indústria tem interesse na migração tecnológica do consumidor. "A venda do LCD estimula também a demanda de outros produtos, como sistema de home theater, aparelho de DVD de alta definição, senão ainda do 'blu-ray' (padrão de DVD de nova geração)", disse.

A Samsung deixou os tubos tradicionais no início do ano e mantém a fabricação - ao lado do LCD e do plasma - apenas dos televisores com o chamado tubo "slim", mais fino. "No Brasil, nem chegamos a fabricar o TV com tubo e tela curva", afirmou o executivo. Desde o início de suas operações no País a sul-coreana colocou seu foco no mercado de produtos de mais alto valor. "Em volume, a nossa participação ainda é pequena, mas, se considerar o total de receita do mercado, somos a segunda", afirmou, citando pesquisa da GFK.
Segundo o executivo, o mercado brasileiro de áudio e vídeo movimenta anualmente entre US$ 8 bilhões e US$ 9 bilhões, sendo que os televisores representam 62% do total.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 8)(Carlos Eduardo Valim)

Paranapanema vende Mineração Taboca
Gazeta Mercantil
23/09/2008

São Paulo, 23 de Setembro de 2008 - "Como uma fênix, a companhia ressurge agora em seu melhor momento desde sua criação, em 1996, mesmo se internacionalmente o cenário econômico é complicado." Assim resumiu Luiz Antonio de Souza Queiroz Ferraz Junior, presidente recém-empossado da Paranapanema SA, a operação de venda do negócio de estanho do grupo, em uma transação da ordem dos R$ 850 milhões. A controlada Mineração Taboca e sua subsidiária Mamoré Mineração e Metalurgia foram vendidas à Serra da Madeira Participações, da mineradora peruana Minsur. Com a notícia, as ações ON da companhia subiram 10% no pregão de ontem na Bovespa e encerram o dia cotadas a R$ 5,60.

O valor da operação ainda está sujeito a ajustes, conforme informou a companhia em comunicado. De qualquer forma, os recursos que entrarão nos cofres do grupo serão suficientes para pagar as debêntures emitidas desde 2006, como parte do programa de reestruturação financeira, que totalizam R$ 480 milhões. "O intuito é equacionar a dívida não-operacional, o que deve acontecer em 45 dias", afirmou o Ferraz Jr., que desde maio de 2005 era diretor financeiro e de gestão da companhia da Paranapanema e de suas controladas e em meados de agosto assumiu a cadeira de principal executivo da empresa.
"Desde o princípio sabíamos que deveríamos vender algum ativo para equacionar a dívida", disse. A companhia deverá gastar R$ 240 milhões para quitar as debêntures, já que o acordo feito com os debenturistas prevê que a cada R$ 1 pago outro R$1 é convertido em ações.

O restante dos recursos, disse Ferraz Jr, ficará à disposição da companhia para os projetos futuros. Em relatório ao mercado por ocasião da divulgação dos resultados do segundo trimestre, a Paranapanema afirmava querer realizar parcerias estratégicas e investimentos com vistas ao fortalecimento da empresa. "Os acionistas ainda devem decidir quais os caminhos a companhia deve trilhar, mas nós não podemos abandonar os projetos", afirmou.

O grupo também detém a Mineração Caraíba, produtora de cobre refinado, vergalhões e fios de cobre; a Eluma, produtora de semi-elaborados de cobre (laminados, barras, tubos e conexões), e a Cibrafértil, produtora de superfosfatos usados na produção de fertilizantes. Anteriormente se comentava que esta última companhia estaria a venda e a Paranapanema concentraria seus esforços na cadeia do cobre.

A Taboca se dedica à extração de cassiterita e à produção de concentrado de estanho e metalurgia de estanho e outras ligas de ferro, nióbio e tântalo. Somente no primeiro semestre deste ano, a receita bruta da empresa cresceu 11%, para R$ 154,2 milhões, o que representou 6,5% do total do grupo Paranapanema, de R$ 2,35 bilhão. Já a Mamoré Mineração, na qual a Taboca possui 100% desde 2004, realiza as operações metalúrgicas de estanho. A empresa estava sendo negociada desde dezembro de 2007, informou Ferraz. Entre as empresas interessadas estiveram, além da Minsur, a MMX Mineração e Metálicos, do empresário Eike Baptista, e a Amazon Pesquisa Mineral e Mineração.

A Minsur é principal produtora de estanho do Peru e responsável por 12% da extração desse mineral no mundo. Até agora, não tinha operação no Brasil. Além de manter a produção da mina, que está em fase final de expansão, a companhia deve iniciar estudos para a exploração de outros minerais presentes ali, como rádio, índio, cromita e criolita. Uma vez explorados, a Paranapanema terá direito a receber royalties sobre essa produção. "Deve render uma valor interessante", disse Ferraz Jr, sem revelar qualquer projeção de valores.

Setor de seguros blindado contra a crise
Gazeta Mercantil
24/09/2008

São Paulo, 24 de Setembro de 2008 - O perfil conservador de administração de recursos das seguradoras brasileiras e um conjunto de regras bastante rígido ajudaram a blindar o mercado de seguros do País, enquanto o American International Group (AIG) mergulhava na crise financeira internacional.

Impedidas de usar os recursos de prêmios de seguros dos clientes e até mesmo de seus ativos em aplicações arrojadas do mercado acionário e no exterior, as seguradoras são obrigadas a optar por investimentos de baixo risco. Até junho deste ano, 98% dos ativos das companhias estavam depositados em títulos de renda fixa, enquanto apenas 2% se concentravam em ações.

"Há muitas restrições, como diversificação de aplicações entre vários papéis, a obrigação de a empresa de seguros escolher só papéis de alta qualidade ou investir limitadamente em ações de empresas do mesmo grupo", explica Murilo Chaim, diretor da Susep.
Segundo Chaim, o fato de a AIG ter sido um dos protagonistas da crise nos Estado s Unidos não afetará as companhias brasileiras do setor, mas elevará o conservadorismo. "Nenhum player de seguros sofrerá conseqüência expressiva, mas a economia reage e, mesmo com a nossa blindagem, as empresas tendem a ficar mais conservadoras."

Arthur Farme d''Amoede Neto, vice-presidente de relações com o investidor da SulAmérica Seguros, a principal diretriz de investimento de uma seguradora parte da obrigações satisfazer o cliente. "A segurança que alguém pode esperar de uma seguradora vem das análises de risco e dos investimentos que ela faz", opina.

Para o diretor da Itaú Seguros, Vida e Previdência, Osvaldo do Nascimento, as altas taxas de juros do País também impedem com que as seguradoras avancem para o mercado de renda variável. "É natural que as empresas, em função dos juros elevados, se concentrem na renda fixa. No mundo também é assim, as empresas buscam segurança, mas têm mais margem de alavancagem", conta.

Flexibilização
O especialista Gustavo da Cunha Mello, da corretora Correcta Seguros, é um dos defensores de mudanças nos padrões de investimento do setor. "As regras mais prudenciais trazem vantagens para os clientes, que estão mais tranqüilos, mas num cenário onde a renda variável apresenta bom desempenho, as seguradoras não participam disso", comenta, defendendo uma maior integração entre as seguradoras e o mercado financeiro. "As empresas poderiam emitir derivativos para que investidores tivessem opção de aplicar em carteiras de seguros lastreadas em apólices. Com isso, seria possível criar produtos diferenciados."
Murilo Chaim, diretor da Susep, rebate as reivindicações: "Existem algumas demandas para diversificação [de aplicações] com recursos livres, mas não as consideramos expressivas, afinal o negócio é ter dinheiro para cobrir perdas, é bom para as seguradoras ter solvência para cobrir sinistros."

Boeing prevê fortalecimento do Brasil como mercado de aviação até 2027
Valor Online
24/09/2008

SÃO PAULO - Os próximos vinte anos vão firmar o Brasil como principal mercado de aviação da América Latina. Até 2027, o país deve adquirir 560 novos aviões, com valor total estimado em US$ 50 bilhões. Isso representa um terço da demanda total na região em unidades e 35% da previsão de vendas em valores, segundo projeções da fabricante norte-americana Boeing.

O segundo maior mercado da região, o México, deve receber 460 aviões (27%), com valor total de US$ 29 bilhões (21%). O restante será dividido entre os outros países latino-americanos.
Para a empresa, o complicado cenário econômico atual deve ter pouco impacto na projeção de longo prazo para a América Latina - e para o Brasil. A Boeing aposta que, nos próximos vinte anos, regiões emergentes continuarão a apresentar taxas de crescimento econômico mais acelerado que a média mundial. "E crescimento econômico leva a um maior tráfego de passageiros que, por sua vez, puxa a demanda por aeronaves novas", afirma o diretor de Marketing para as Américas da Boeing Aviões Comerciais, Michael Barnett.

Pelas contas da Boeing, o Produto Interno Bruto (PIB) da região deve crescer anualmente a uma taxa de 4% até 2027, enquanto o tráfego aéreo deve aumentar 6,7% ao ano no mesmo período. As médias mundiais anuais previstas para esse intervalo, segundo a fabricante, são de 3,2% e 5%, respectivamente.

Segundo Barnett, a empresa foi obrigada a rever suas previsões por tipo de equipamentos, com base nas tendências demonstradas tanto por companhias aéreas como pela mudança na realidade da indústria como um todo. Os altos preços do petróleo e a crise no setor aéreo nos EUA, em combinação com a turbulência financeira atual, levou muitas companhias a redimensionarem seus planos de frota. Dessa forma, a companhia vê um mercado cada vez menor para aeronaves regionais, de menos de 90 assentos.

"Tivemos que modificar nossa expectativa seguindo a tendência do mercado, que mostra que os operadores estão buscando aeronaves maiores, com melhor relação de custo por passageiro", explica. "No Brasil, TAM e Gol são prova dessa tendência, a primeira trocando seus Fokker F-100 por A320s (da concorrente Airbus) e a outra substituindo seus 737-300s por 737-800s", acrescenta.

"Não sabemos quem ficará com o segmento de aviões regionais, pois acreditamos que irá minguar muito. Eles não terão mais muito espaço, por conta dos altos preços dos combustíveis e do tipo de mecânica econômica que irá dominar a indústria", afirma.
Na avaliação da Boeing, o mercado de aviões de corredor único, com entre 90 e 200 assentos, será o mais importante na América Latina e no Brasil nos próximos 20 anos. No total, 79% dos 1700 novos aviões que o continente demandará até 2027 deverão ser de corredor único. No Brasil, 84% das aeronaves serão dessa categoria, que inclui, também, os modelos EMB 190 e EMB 195, da brasileira Embraer. Esses cerca de 470 aviões terão valor conjunto de US$ 35,5 bilhões, segundo a Boeing.
Em comparação, a expectativa da empresa é que os aviões regionais na América Latina representem apenas 6% da demanda em unidades e 3% do valor dos pedidos até 2027.

O executivo, que prefere não projetar qual será a fatia desse mercado que caberá à fabricante, afirma porém que, no Brasil, atualmente apenas uma empresa - a TAM - opera aeronaves da arqui-rival Airbus e que, por enquanto, nenhuma utiliza equipamentos da Embraer. A primeira a fazer isso, a Azul, deve iniciar suas operações apenas no ano que vem. Essa dominância no mercado nacional, portanto, é considerada por Barnett como um ponto positivo para a Boeing que, segundo ele, ainda "detém o melhor portfólio de produtos para esse mercado" entre as fabricantes.

Embora reconheça que, no curto prazo, por conta da crise financeira, a expansão do PIB e a demanda por aeronaves deverão ser reduzidas, ele acredita que num horizonte de 20 anos esses problemas devem ser diluídos.

"O Brasil foi um dos países que recebeu maior volume de investimentos estrangeiros no ano passado e não vejo nada capaz de afetar essa tendência de expansão do mercado local no futuro", afirma o executivo.
(José Sergio Osse | Valor Online)

Coca-Cola e Avon juntam forças e ampliam promoção
Gazeta Mercantil
25/09/2008

São Paulo, 25 de Setembro de 2008 - Coca-Cola e Avon possuem uma força de vendas nada desprezível. Se somarem esforços - a fabricante de bebidas atua em um milhão de estabelecimentos comerciais, enquanto a empresa de cosméticos é responsável por 1,2 milhão de revendedoras autônomas -, o impacto de suas ações para fisgar o consumidor é ainda maior. É esse o raciocínio da promoção conjunta "Você merece Coca-Cola e Avon".

Válida até 29 de dezembro, a ação prevê a distribuição de 4,6 milhões de quites com produtos de beleza Avon e potes exclusivos Coca-Cola. A parceria teve início em 2005 e agora ampliou o leque de produtos contemplados. Com o poder de venda da operação conjunta, a expectativa deste ano é superar o número de 20 milhões de quites, somando-se todas as edições da promoção.
"O fato de estarmos na quarta edição da parceria mostra que a ação tem sido um sucesso", afirma o diretor de marketing de Coca-Cola, Ricardo Fort. "Existe uma complementariedade grande entre as empresas, não só na distribuição, como também na força de vendas. Além disso, falamos com as mesmas consumidoras, ou seja, as mães", completa o executivo. "Para a Coca-Cola, a promoção voltada para as mães é muito especial, pois elas são um dos públicos prioritários para a marca", afirma Fort.
Sem divulgar valor de investimentos, Fort afirma que, no final do ano, período em que são realizadas as promoções em parceria com a Avon, nota-se um aumento da participação da Coca-Cola no mercado. Ele lembra também que outras marcas de refrigerantes da companhia participam da promoção , além de Aquarius Fresh e da linha de sucos Minute Maid Mais. "Além das vendas, o importante é a relação afetiva que a marca cria com o consumidor", diz Fort.

"A Avon, por ser uma empresa voltada ao público feminino, acredita que a promoção intensificará ainda mais a valorização da mulher, seja como mãe ou profissional, que se preocupa com o bem-estar de sua família e sua auto-estima", diz o diretor de marketing de cosméticos da Avon, Ricardo Patrocínio.

Para divulgar a promoção, a campanha publicitária, que estréia hoje e é assinada pela McCann Erickson, é composta de um filme para TV, rádio, internet - com o site criado pela Gringo -, material de ponto-de-venda e inserções no catálogo de vendas da Avon.
Expansão

A parceria, por enquanto, só acontece no Brasil. "Outros escritórios da companhia já nos consultaram sobre a dinâmica da parceria, mas não tenho conhecimento de que uma ação como essa tenha sido implementada em outra unidade", comenta Patrocínio.
"A Avon tem recebido uma série de propostas de outras companhias para a realização de novas parcerias. Estamos avaliando cada uma delas, mas não há nada definido", afirma Patrocínio.

Como participar
A consumidora deve juntar seis pontos em provas de compras dos produtos Coca-Cola Brasil - entre tampinhas de garrafas acima de 1L e códigos de barra de embalagens Tetrapack - mais a quantia de R$ 10,99 e solicitar o quite a uma das revendedoras autônomas Avon em qualquer lugar do País. Também é possível solicitar pelos sites da Avon ou da Coca-Cola.
A pessoa pode montar o seu quite escolhendo um dos itens Avon - o protetor solar "Avon Sun FPS 15", o brilho labial "Glazywear Summer Bronze" ou o hidratante "Loção Body Yogurt" - e um dos potes Coca-Cola, com identidade visual estilizada.


Setor higiene pessoal e beleza investirá US$ 600 milhões em capacidade produtiva e logística
Gazeta Mercantil
25/09/2008

São Paulo, 25 de Setembro de 2008 - O setor de higiene pessoal e beleza deve investir US$ 600 milhões neste ano na ampliação da capacidade produtiva e do sistema logístico , informou ontem João Carlos Basilio da Silva, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec). O volume corresponde a um crescimento de 35% em relação aos cerca de US$ 480 milhões aplicados em 2007. "É um patamar que vem crescendo anualmente. Há três ou quatro anos investíamos entre US$ 300 milhões e US$ 350 milhões por ano", disse.

O crescimento se deve ao aumento do consumo no mercado interno, o que exige um incremento na produção de 9% por ano, disse o executivo. Segundo ele, já existem máquinas trabalhando 24 horas por dia para atender os pedidos.
De acordo com levantamento realizado pela entidade, no primeiro semestre deste ano, o setor obteve uma receita de R$ 7,75 bilhões, preço de fábrica, sem contar impostos. O valor é 7,7% maior em relação ao apurado em igual período do ano passado. Para 2008, a previsão é alcançar R$ 21,2 bilhões, o que representaria alta de 8,7%. O percentual é inferior à média de 10,9% (índice deflacionado) registrada nos últimos 12 anos.

Segundo Basilio, em fevereiro foi implementada no Estado de São Paulo a substituição tributária que elevou em cerca de 70% o total de carga tributária que incide sobre os produtos de higiene pessoal e cosméticos. "Isso prejudicou o nosso desempenho em fevereiro e março", disse Basilio. São Paulo responde por aproximadamente 40% do mercado nacional de higiene pessoal e beleza.

De acordo com Basilio, outros estados também estão avaliando a alteração.

Perfumaria
Com esse percalço, o segmento que mais se destacou no primeiro semestre foi o de perfumaria, com crescimento de 13,8% no período, para R$ 1,12 bilhão. "A venda direta e as franquias respondem por 90% da comercialização de perfumes e colônias e esses canais não foram afetados pela substituição tarifária", explicou.
Segundo o executivo, as vendas ao varejo caíram 3,35% em fevereiro, enquanto as vendas diretas, que já tinham substituição tarifária, cresceram 27,07% no mesmo mês.

O segmento de cosméticos cresceu apenas 2,4% nos primeiros seis meses deste ano, para R$ 1,86 bilhão, enquanto as vendas de higiene pessoal somaram R$ 4,76 milhões, o que representa alta de 8,5%, ante o primeiro semestre de 2007.
Basilio afirmou que em 2009 a taxa de crescimento deve voltar ao mesmo patamar dos anos anteriores. A depender do câmbio, tal ritmo de expansão pode dar ao País a segunda colocação entre os principais mercados mundiais em 2010. Desde 2006, o Brasil é o terceiro maior mercado mundial de higiene pessoal e beleza, apenas atrás dos Estados Unidos e do Japão, que têm registrado aumento abaixo de 2%. O mercado brasileiro movimentou US$ 22,2 bilhões em 2007, alta de 22,6% ante o ano anterior.

Entre os mercados em que o Brasil mais cresce está o de protetores solares, que 2007 movimentou US$ 570 milhões, 31,2% do apurado um ano antes. Com isso, o País já responde por 8,2% do mercado mundial, de US$ 6,95 bilhões e passou da quinta para a terceira colocação no ranking de principais países consumidores.
(Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 3)(Luciana Collet)


Biagi será revendedor Iveco e espera ter caminhão a álcool

Gazeta Mercantil
25/09/2008

São Paulo, 25 de Setembro de 2008 - O empresário Luiz Biagi, acionista da SantelisaVale, o segundo maior grupo sucroalcooleiro do País, será concessionário Iveco no Brasil. "Vamos investir R$ 100 milhões em dez lojas no interior paulista, onde já temos experiência com concessionárias Fiat, Peugeot e GM", disse Luiz Biagi a este jornal.

"A Iveco investe muito em tecnologia e vai lançar um caminhão movido a álcool, destinado às usinas sucroalcooleiras do País", afirmou Biagi, para quem "o diesel é o calcanhar de Aquiles do setor de açúcar e álcool." Segundo ele, não faz sentido você produzir um combustível e usar outro. "Com o novo caminhão, deixaremos de usar o diesel nas usinas, o que contribuirá para reduzir significativamente os custos do setor."

Com o salto na produção de álcool, as usinas brasileiras vêm pleiteando há alguns anos à indústria automotiva caminhões movidos a álcool, principalmente para o transporte da cana dos canaviais às moendas, que representa mais de 20% do custo da matéria-prima. Só em cana-de-açúcar, as empresas sucroalcooleiras terão de transportar mais de 500 milhões de toneladas nesta safra, a uma distância média entre 25 e 50 quilômetros.

"Esperamos que as colheitadeiras Case, do Grupo Fiat, também tenham motores a álcool no futuro", disse Biagi. Estima-se que o mercado cativo das usinas seja próximo de 100 mil motores movidos a álcool, incluindo os estacionários para a irrigação dos canaviais e movimentação de vinhaça.
O negócio de automóveis Fiat e caminhões Iveco de Biagi é administrado por meio da holding Cibrapar - Companhia Brasileira de

Participações.
Ontem, em Hanover, na Alemanha, o presidente da Iveco para a América Latina, Marco Mazzu, disse que as primeiras concessionárias de Biagi serão inauguradas no primeiro semestre de 2009, em Araçatuba, Catanduva, Marília, Ourinhos, Presidente Prudente, São José do Rio Preto, entre outras.
Mazzu disse ainda que a rede de concessionárias Iveco no Brasi, atualmente com 67 lojas, deverá crescer em 100 unidades até 2010.

O grupo Santelisa Vale Bioenergia S/A é resultado da fusão entre a Companhia Energética Santa Elisa, de Sertãozinho (SP), e a Companhia Açucareira Vale do Rosário, de Morro Agudo (SP). Controlada pela holding Santelisa Vale S/A (que tem como sócios as famílias Biagi, Junqueira, o banco Goldman Sachs, além de minoritários), a Santelisa Vale Bioenergia S/A tem 100% das usinas paulistas Santa Elisa, Vale do Rosário, MB e Jardest. Tem ainda 65% da Usina Continental, na região de Barretos (SP), 50% da Tropical Bioenergia, em Edéia (GO) e 72,6% da Crystalsev.

Fora-de-estrada
Confiante na estabilidade economica do Brasil, o presidente da Iveco confirmou em Hannover que mantém estrategia de lançar dois veiculos ate o final do ano no País.. Em outubro a empresa apresentara o Trakker, um caminhao pesado fora-de-estrada para aplicacao nos setores agricola, de construção, industria de madeira e de celulose. O novo caminhao Trakker será construído na fabrica de Sete Lagoas(MG) e em Cordoba, na Argentina).


Petrobras encontra óleo leve na Bacia de Santos acima da camada de sal
Valor Online
26/09/2008

A Petrobras comprovou a presença de óleo no poço 1-BRSA-658-SPS (1-SPS-57), localizado ao sul da Bacia de Santos, em reservatórios arenosos acima da camada de sal. Embora não esteja situado no pré-sal, essa descoberta, segundo fato relevante enviado pela companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), "confirma o bom potencial de óleo leve nas porções de águas rasas daquela bacia". Segundo a empresa, o volume de óleo recuperável na região pode ser de cerca de 150 milhões de barris de óleo equivalente.

O poço situa-se no bloco S-M-1289 da concessão BM-S-40, no qual a Petrobras detém 100% de participação. O bloco está localizado a cerca de 200 quilômetros da costa do Estado de São Paulo, em lamina d'água de 274 metros, e fica a 9,3 quilômetros da primeira descoberta na região, no poço 1-SPS-56, no prospecto de Tiro, que foi anunciada em maio deste ano.
"Embora ainda esteja na fase preliminar de avaliação, a empresa, baseada nos dois poços e nas anomalias dos dados sísmicos, estima que o volume recuperável de óleo nessa área seja de aproximadamente 150 milhões de barris de óleo equivalente", diz o fato relevante.

Os reservatórios descobertos são do tipo arenoso e estão situados a aproximadamente 2.060 metros de profundidade. Segundo a Petrobras, a produtividade dos reservatórios será avaliada imediatamente por meio de um teste de formação a poço revestido.
"As dimensões das descobertas feitas por esses poços só serão definidas após Plano de Avaliação que será proposto à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), conforme determina o contrato de concessão BM-S-40", diz o fato relevante.
(Rafael Rosas| Valor Online)

SEC concede registro para ADRs da Eletrobrás
Valor Online
26/09/2008

RIO - A Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, concedeu hoje o registro para os American Depositary Receipts (ADRs) da Eletrobrás, que poderão agora ser negociado na Bolsa de Nova York. De acordo com a estatal, a listagem dos papéis da empresa na bolsa acontecerá no dia 31 de outubro.
Os ADRs das ações ordinárias serão negociados com o símbolo EBR, enquanto os papéis preferenciais classe B serão listados sob o código EBR.B. Em nota, o presidente da Eletrobrás, José Antonio Muniz Lopes, afirmou não temer os efeitos da crise internacional sobre a companhia.

"Toda crise é sinônimo de oportunidade e essa não é diferente. Os investidores estão se voltando para o mundo real e esse é o mundo da Eletrobrás", afirmou.
Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da estatal, Astrogildo Quental, a expectativa é que as ações da empresa se beneficiem, no médio prazo, da listagem em Nova York. "A valorização que esperamos aumentará a nossa liquidez e a Eletrobrás poderá, então, obter taxas de juros menores", disse Quental, também em nota.

A Eletrobrás controla as empresas Chesf, Furnas, Eletronorte, Eletronuclear, Eletrosul e CGTEE, entre outras. A holding conta hoje com uma capacidade instalada de produção de 39.753 MW, o equivalente a 39,6% do total do Brasil, distribuída em 30 usinas hidrelétricas, 15 termelétricas e duas usinas nucleares. As linhas de transmissão alcançam 56.789 quilômetros, o que representa 63% da malha brasileira.
(Rafael Rosas | Valor Online)


Frigoríficos Marfrig e Minerva afirmam que não terão perda financeira
Valor Online
26/09/2008

São Paulo - Os frigoríficos Marfrig e Minerva enviaram nota há pouco para tranqüilizar acionistas e informar que não registraram perdas financeiras em operações com derivativos de câmbio, como aconteceu com a Sadia e Aracruz, devido à alta volatilidade no mercado de dólar causada pela crise internacional. Ontem a Sadia divulgou perda R$ 760 milhões com operações alavancadas que superavam a necessidade de proteção. Hoje foi a vez da Aracruz confirmar perdas, mas sem revelar o tamanho do rombo.

A Marfrig Frigoríficos afirma que não pratica transações alavancadas de derivativos ou similares que não tenham como objetivo a proteção das operações internacionais da empresa, que tem 70% da receita formada por moedas estrangeiras. O frigorífico reforçou que tem saldo sólido e "política conservadora" de gestão financeira.

O Minerva, que também produz e comercializa carne bovina e couros e exporta boi vivo, apresentou ao mercado o mesmo tipo de explicação e afirmou que não terá nenhuma perda com transações de derivativos alavancados durante o trimestre. Segundo a nota, a empresa tem uma política de hedge que inclui cenários de grande volatilidade.
"Desta forma, a companhia acredita estar devidamente preparada para passar sem sobressaltos por este período de forte volatilidade no mercado financeiro", informa em seu comunicado aos acionistas.
Ambas as empresas ressaltaram que além de caixa robusto, têm aplicações financeiras de curto prazo e mantém o endividamento com concentração no longo prazo.

Anac aprova incorporação da Varig pela Gol
Valor Online
26/09/2008

SÃO PAULO - A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deu sinal verde para que a Gol incorpore a Varig como subsidiária completa. Até agora, as duas empresas vinham sendo administradas como entidades independentes, embora o controle acionário fosse comum.

Em comunicado, a Gol informa que recebeu a autorização da agência para realizar a reestruturação societária necessária para incorporar a Varig à sua operação. Segundo a empresa, a reorganização só será concluída com o registro dos atos societários de ambas empresas na Junta Comercial competente.

A empresa ainda afirma que o objetivo da reestruturação é "otimizar a estrutura operacional das subsidiárias da Gol". Para a companhia, juntas, as duas operadoras terão maior eficiência para prestar serviços, se beneficiando da integração das operações de Varig e Gol e melhorar a oferta aos passageiros.

A controladora afirmou, porém, que irá manter as marcas Gol e Varig e que a incorporação da segunda não terá qualquer efeito sobre os direitos de acionistas do grupo.
(José Sergio Osse | Valor Online)


Projeto da Gerdau em PE deverá ir a US$ 600 milhões
Valor Econômico
26/09/2008

RECIFE - A usina siderúrgica que a Gerdau planeja erguer em Pernambuco receberá investimentos de US$ 600 milhões para a produção de 1 milhão de toneladas de vergalhões por ano. O anúncio foi feito pelo governador Eduardo Campos (PSB) ontem durante o evento de inauguração de uma indústria da fabricante de bebidas Campari no porto de Suape, a 40 quilômetros do Recife.
Segundo Campos, representantes da empresa estiveram no Estado neste mês escolhendo uma área de 150 hectares para instalar a nova fábrica. O terreno é 50 hectares maior do que aquele inicialmente solicitado pela companhia que já opera no Estado com uma unidade também de aços longos - a Açonorte.

Em agosto, durante teleconferência para a divulgação de seus resultados financeiros trimestrais, o presidente da Gerdau, André Gerdau Johannpeter, anunciou a construção de duas novas usinas, sendo uma em Pernambuco e outra na Espanha. Na ocasião, a empresa informou que iria investir na unidade pernambucana US$ 400 milhões até 2011 para produzir 500 mil toneladas de aço por ano a partir de sucata, com possibilidade de expansão para 1 milhão de toneladas.

Procurada ontem pelo Valor, a Gerdau - segunda maior fabricante de aço bruto no país (longos e especiais), atrás do grupo ArcelorMittal (aços longos, planos e inox) - informou que existe um projeto para a instalação de uma nova usina em Pernambuco. Não confirmou, entretanto, os números divulgados pelo governador. Segundo a companhia, o investimento previsto é de US$ 400 milhões.

Sobre a capacidade instalada de produção, a empresa informou que ainda está realizando estudos para determiná-la.
Hoje, a Açonorte, que também produz vergalhões, tem uma unidade industrial apta a fazer 150 mil toneladas por ano.
O projeto da Gerdau não é o único previsto para os próximos anos em Pernambuco. Em junho, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou que pretende investir a partir de meados de 2009 até US$ 6 bilhões em uma usina com capacidade para processar até 3,5 milhões de toneladas de aço por ano em Suape.

A primeira fase do projeto, que tem seis anos de duração, prevê a fabricação de 500 mil de toneladas por ano de aços longos, segmento dominado por Gerdau, ArcelorMittal e Votorantim. O aço da CSN será voltado para fabricação de parafusos, telas e vergalhões.

O principal imã para a instalação de novas plantas siderúrgicas no Nordeste tem sido o consumo da própria região, principalmente de produtos voltados para a construção civil. Do lado imobiliário, o setor tem recebido impulso com as parcerias que estão sendo firmadas entre incorporadoras nordestinas e do Sudeste. Além disso, vários empreendimentos de grande porte estão sendo erguidos no Nordeste, refinarias da Petrobras e fábricas da Perdigão e da Sadia.

A compra de itens siderúrgicos na região, entretanto, não tem ficado restrita a itens da construção civil. Neste mês, entraram em funcionamento, por exemplo, dois projetos que demandam muito aço: o estaleiro Atlântico Sul e a fabricante de aerogeradores Impsa.
(Carolina Mandl | Valor Econômico)

Petrobras confirma descoberta de gás e óleo leve no poço Júpiter
Valor Online
25/09/2008

SÃO PAULO - A Petrobras confirmou ontem à noite a ocorrência de uma grande jazida de gás natural e óleo leve no pré-sal ao concluir a perfuração do poço Júpiter, na Bacia de Santos. A descoberta foi comunicada em 21 de janeiro deste ano.
O poço Júpiter fica a 290 quilômetros da costa do Rio de Janeiro e 37 quilômetros a leste da área de Tupi, descoberta no ano passado. A profundidade final atingida foi de 5.773 metros a partir da superfície do mar.
"A perfuração do poço, que, por razões operacionais havia sido interrompida em janeiro, foi aprofundada e constatou a continuidade de reservatórios de gás natural e óleo leve, e de elevado teor de gás carbônico (CO2)", conforme nota na página eletrônica da Petrobras.
Consta do texto que o consórcio formado pela estatal brasileira mais a Galp Energia, que detêm 80% e 20%, respectivamente, da área, prosseguirá com as atividades e investimentos necessários com o objetivo de verificar as dimensões da nova jazida e as características dos reservatórios.

Hypermarcas paga R$ 15 milhões por totalidade da ÉH Cosméticos
Valor Online
24/09/2008

SÃO PAULO - Em reunião realizada hoje, o conselho de administração da Hypermarcas fechou a compra dos 50% que ainda não possuía na ÉH Cosméticos, empresa que tem linhas de produtos para cabelos, incluindo shampoos, condicionadores e finalizadores.
O controle da empresa era dividido com a empresária Cristiana Arcangeli, que receberá R$ 15 milhões pelos 50% que possuía na sociedade.

A Hypermarcas é uma das maiores empresas de bens de consumo do país, com produtos nos segmentos alimentos, limpeza, higiene pessoal e medicamentos.

A companhia foi das poucas que enfrentou o turbulento mercado acionário de 2008, conduzindo uma oferta pública inicial que resultou na captação de R$ 612 milhões em abril.


Vale aprova investimentos em refinaria de alumina e mina de bauxita
Valor Online
24/09/2008

O conselho de administração da mineradora Vale aprovou hoje os investimentos para construção de uma refinaria de alumina, a Companhia de Alumina do Pará (CAP), que terá capacidade inicial de produção de 1,86 milhão de toneladas por ano e custará cerca de US$ 2,2 bilhões. Os conselheiros da mineradora aprovaram também a expansão da mina de bauxita de Paragominas, também no Pará, estimada em US$ 487 milhões.

A refinaria de alumina será construída no município paraense de Barcarena, a cinco quilômetros da Alunorte, subsidiária da própria mineradora. A CAP terá como acionistas a Vale, com 80% do capital, e a norueguesa Hydro Aluminium, com os 20% restantes.
A refinaria terá inicialmente duas linhas produtoras, com capacidade, cada uma, para 930 mil toneladas anuais. A unidade terá potencial para aumentar a capacidade no futuro para até 7,4 milhões de toneladas por ano. A expectativa é de que as obras comecem no mês que vem e a produção seja iniciada no primeiro semestre de 2011.

A expansão de Paragominas (Paragominas III) fornecerá a bauxita consumida pela CAP. Com a ampliação, a capacidade da mina passará de 9,9 milhões de toneladas por ano para 14,85 milhões de toneladas por ano. A expectativa é de que a expansão fique pronta também no primeiro semestre de 2011, simultaneamente à entrada em operação da CAP.

A previsão da mineradora é de que os dois projetos gerem, no pico da construção, 9 mil empregos, e, quando concluídos, sua operação será responsável por 847 empregos diretos e 690 empregos indiretos.

"Estes projetos são consistentes com a estratégia de negócios da Vale para o alumínio, cujo foco é no crescimento orgânico de ativos no 'upstream' da cadeia produtiva, baseado no aproveitamento de suas reservas de bauxita de alta qualidade e na capacidade de produção de alumina a custos extremamente competitivos no mercado global", diz a nota divulgada pela Vale.
(Rafael Rosas | Valor Online)

Recuperação judicial da Agrenco é aprovada
Valor Econômico
24/09/2008

SÃO PAULO - A Agrenco informou na noite de ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que seu plano de recuperação judicial foi aprovado pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo. O pedido havia sido feito em 27 de agosto, na seqüência de uma série de reveses que incluiu a prisão, em agosto, de três de seus ex-controladores, acusados pela Polícia Federal de crimes como sonegação fiscal e corrupção.

A companhia terá agora até 60 dias para apresentar os pormenores de seu plano de recuperação. O comunicado apresentado à CVM informou ainda que foi contratada a empresa Íntegra Associados, que trabalhará na montagem do plano.
Novata no mercado acionário, a Agrenco, que atua na cadeia de comercialização de soja como trading e também na produção de biodiesel, entrou em parafuso neste ano. Abalada pela disparada do preço da oleaginosa, que atingiu seu recorde histórico de preço em 2008, a companhia acumulou dívidas e deixou de pagar fornecedores.

Depois da prisão de três de seus principais executivos, a Agrenco anunciou que estava em negociação para a venda de seu controle para grupos como o francês Louis Dreyfus, o asiático Noble e a suíça Glencore. Situação similar viveu a goiana Selecta, que, depois de entrar com pedido de recuperação judicial, fechou acordo para ser comprada pela Los Grobo Agro do Brasil, associação entre o maior produtor de soja da Argentina e o fundo Pactual Capital Partners, que administra recursos de ex-sócios do banco Pactual.

A Agrenco fez sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em novembro de 2007, com a qual levantou R$ 666 milhões. Meses depois, ao reportar os resultados do primeiro trimestre deste ano, informou que sua dívida de curto prazo era de cerca de R$ 1 bilhão. A companhia ainda não publicou o balanço com os resultados do segundo trimestre.
(Patrick Cruz | Valor Econômico)


Vendas dos supermercados crescem 12,47% em agosto, diz Abras

Valor Online
23/09/2008

SÃO PAULO - As vendas reais dos supermercados brasileiras registraram em agosto um crescimento de 12,47% em relação ao mesmo período do ano passado e de 3,25% sobre julho deste ano. No acumulado entre janeiro e agosto, o resultado foi 9,36% maior do que o obtido nos oito primeiros meses de 2007, segundo informou hoje a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Se considerada a variação nominal, sem descontar a inflação medida pelo IPCA, as vendas avançaram 19,41% sobre agosto de 2007 e 3,54% sobre julho deste ano. No acumulado de janeiro a agosto, o crescimento foi de 15,27% sobre igual intervalo de 2007.
Para o presidente da Abras, Sussumu Honda, diante dos resultados já é possível esperar para este ano um crescimento de vendas da ordem de 8% sobre 2007. "A única ressalva fica por conta dos desdobramentos da crise financeira nos Estados Unidos", ponderou o executivo.

Já a cesta de 35 produtos cujos preços são calculados mensalmente pela entidade ficou em R$ 254,51, com queda nominal de 0,82% em relação a julho. A variação real mostrou recuo de 1,10%, de acordo com a Abras. Sobre agosto de 2007, houve alta nominal de 15,1% e real de 8,41%.
Os produtos com as maiores altas foram cebola (8,07%), frango congelado (5,91%) e sabonete (5,66%). As maiores quedas foram vistas no tomate, (-43,28%), na batata (-7,17%) e no leite longa vida (-5,34%).

Copebrás "infla" plano de expansão, que deve, agora, superar US$ 1 bi
Valor Online
26/09/2008

Segunda maior fabricante de matérias-primas para fertilizantes do país, a Copebrás, controlada pelo grupo sul-africano Anglo American, decidiu ampliar o projeto de expansão de seu complexo localizado em Catalão, em Goiás. Em estudos há pelo menos três anos e inicialmente orçado em US$ 180 milhões, o plano tornou-se mais ambicioso e agora deverá absorver ao menos US$ 1 bilhão.

"O objetivo, agora, é mais do que dobrar o tamanho da empresa como um todo", diz Cristiano Melcher, diretor-executivo da Copebrás. A revisão está relacionada à tendência de crescimento da demanda doméstica por adubos e aos elevados preços do insumo nos mercados externo e interno, que podem acelerar o retorno dos investimentos previstos.

Apesar das incertezas derivadas da crise financeira global, Melcher não prevê problemas para levantar recursos para financiar a ampliação, entre outros motivos por ser o Anglo American um grande grupo multinacional de mineração (vendas globais superiores a US$ 30 bilhões em 2007) acostumado a desenvolver projetos bilionários em diversos países. Com fertilizantes, aliás, só trabalha no Brasil.

Conforme o executivo, o estudo de pré-viabilidade da expansão em Catalão foi concluído, mas outras informações precisam ser levantadas e ainda serão necessários pelo menos mais 12 meses para os planos finalmente saírem do papel. "O projeto tem de ser bem trabalhado e inicialmente foi muito bem recebido pela alta direção do grupo", diz.

A ampliação deverá ser concluída em 2012. Em linhas gerais, a capacidade de produção do complexo mineroquímico goiano deverá passar das atuais 1,3 milhão de toneladas de concentrado de fósforo por ano para cerca de 3 milhões. Com mais matéria-prima, a oferta anual de fertilizantes fosfatados deverá subir de 1 milhão de toneladas para 2,2 milhões. Deverão ser criados mais ou menos 800 empregos diretos e indiretos.

A evolução dos resultados da Copebrás nesses últimos anos de demanda e preços de adubos em alta é o principal argumento em defesa da expansão. Graças à virada do mercado, que em 2005 esteve desaquecido por conta da crise de renda de agricultores sobretudo de Mato Grosso, o faturamento da empresa retomou o ritmo de crescimento e as margens ficaram mais confortáveis.

Em 2006, a Copebrás faturou US$ 281 milhões, ainda 6% menos que em 2005. No ano passado, contudo, o valor aumentou para US$ 415 milhões, e para 2008 a previsão é de crescimento de pelo menos 50%, conforme Melcher. Em 2007, a empresa respondeu por 49% do faturamento total do grupo Anglo American no país, fatia que pode até crescer neste ano.

Acostumado a conviver com os boatos de que a Copebrás "está prestes a ser vendida para uma grande multinacional do segmento", que há pelo menos oito anos volta e meia reaparecem aqui e ali, Melcher recorre à expansão de Catalão para reafirmar que a empresa é estratégica para o grupo sul-africano.

A partir da retomada do crescimento da Copebrás, o executivo atualmente sequer descarta a entrada do Anglo American no segmento de fertilizantes também em outros países. A informação pode ser recebida como mais que um simples palpite.

Após uma recém-encerrada reestruturação administrativa no Brasil, que será comunicada ao mercado nos próximos dias, Melcher passou a acumular também a diretoria comercial, de estratégia e de desenvolvimento de novos negócios do Anglo American no país.

O executivo também diz que a ampliação do projeto da Copebrás em Catalão não é uma resposta à pressão do governo federal sobre as empresas do segmento para que estas acelerem a expansão da produção brasileira para que o país reduza sua dependência de produtos importados, que hoje respondem por 70% da demanda nacional. De acordo com ele, trata-se, sim, de uma resposta ao mercado.

É o mesmo argumento de empresas como Fosfertil (maior fabricante de matérias-primas para adubos do ranking nacional) e as múltis Bunge, Mosaic e Yara (que dividem o controle da Fosfertil), entre outras, que nesses últimos meses de pressão de Brasília confirmaram aportes no Brasil que, somados, deverão superar US$ 4 bilhões nos próximos quatro anos. Além da Vale, que também ratificou que vai tocar um projeto de fosfato no Peru, que também interessa aos agricultores locais.

"A demanda segue firme e as perspectivas para o agronegócio brasileiro, também, sobretudo graças ao aumento do consumo de alimentos em países emergentes. Daí os investimentos. Mas concordo que estava mais do que na hora de o governo se inteirar do assunto", afirma Melcher.

Essa "inteiração" veio com a disparada dos preços do insumo, a partir do fim de 2006, e que só agora começa a perder fôlego. As empresas sempre alegaram que o aumento foi mundial e que chegou ao Brasil em razão da dependência do país de produtos importados, mas o fato é que o encarecimento tornou-se, pela segunda safra seguida, talvez a principal preocupação dos produtores brasileiros.

Nesse cenário, produtores e cooperativas tentam unir forças e ganhar escala, seja para comprar melhor no mercado doméstico, seja para importar a custos mais vantajosos. Em Mato Grosso, que tem solos pobres e a produtividade dos grãos em 2008/09 está ameaçada, já há diversas iniciativas nesse sentido. Nesta sexta, no Paraná, 21 cooperativas confirmam a criação de um consórcio com o mesmo fim.

Bunge e Itochu anunciam parceria e prometem investir US$ 800 mi
Valor Econômico
24/09/2008

SÃO PAULO - A americana Bunge e a japonesa Itochu anunciaram ontem que selaram uma aliança para desenvolver em conjunto dois projetos sucroalcooleiros no Brasil. No total, os investimentos deverão somar US$ 800 milhões nos próximos quatro anos. A Bunge deverá aportar US$ 640 milhões e a trading Itochu, os US$ 160 milhões restantes.

A Bunge explicou que a primeira joint venture envolve a usina Santa Juliana, localizada no município mineiro de mesmo nome. Comprada pela multinacional em setembro de 2007, a unidade já opera e tem capacidade para processar 1,6 milhão de toneladas de cana por ano.
A partir dos aportes programados, afirma Adalgiso Telles, diretor corporativo da companhia, esta capacidade será ampliada para 4,2 milhões de toneladas. " Trata-se de uma usina com logística excepcional " .

A outra tacada dos novos parceiros ainda é mantida em sigilo, já que prevê a construção de uma usina nova. Nesse caso, a única informação confirmada pelos parceiros é que a Bunge entrará com 80% dos recursos, cabendo aos japoneses os demais 20%.
" Procurávamos um parceiro grande para compartilhar esse mercado. O potencial do segmento de açúcar e álcool é grande e esta parceria poderá ser até ampliada no futuro " , disse Telles.
Na semana passada, a Bunge já havia anunciado a aquisição da usina Monte Verde, situada em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul.

Esta deverá começar a rodar em maio do ano que vem, com capacidade para processar 1,4 milhões de toneladas de cana por safra.
Apesar de não fazer parte da aliança com os japoneses, também há planos para ampliar a unidade sul-mato-grossense para 4,5 milhões de toneladas, também em quatro anos. Com logística menos privilegiada, esta usina, segundo Telles, destaca-se pela tecnologia de última geração.

Sobre os planos de expansão neste mesmo segmento sucroalcooleiro no Estado de Tocantins, Telles limitou-se a informar ao Valor que ainda não há nada de concreto para ser anunciado.
O executivo ressalta, entretanto, que a estratégia da multinacional no segmento também se apóia em atividades de trading, que começou com o açúcar mas começa a ser ampliada para abraçar também o etanol, que exige uma infra-estrutura adequada de escoamento.
No pacote de investimentos acertado com a Itochu, haverá aportes em logística para esse escoamento, ainda que eles também não tenham sido relevados.

" Além do açúcar e do álcool, também pretendemos atuar na co-geração de energia elétrica [a partir do bagaço da cana], o que reduzirá nossos custos e gerará receita [com a venda do excedente para terceiros] " , disse Telles.
Tanto nos planos que envolvem a usina Santa Juliana quanto na estratégia para a Monte Verde, o executivo afirmou que os planos são de mecanizar pelo menos 90% da colheita de cana.

" É grande o potencial de crescimento desse segmento também para a empresa " , reconhece Telles. Ele não informou que participação pode ter a área no faturamento do grupo no país, que em 2007 alcançou R$ 22,5 bilhões (a receita líquida global foi de US$ 45 bilhões). A Itochu faturou globalmente US$ 120 bilhões no ano passado.
(Fernando Lopes | Valor Econômico)


AleSat compra rede da Polipetro no Sul

Valor Econômico
24/09/2008

BELO HORIZONTE - Após perder a disputa pela rede de distribuição de derivados de petróleo da Texaco, a AleSat Combustíveis decidiu aumentar os investimentos e acelerar o seu plano de expansão no Brasil. Com 1,2 mil postos espalhados por 21 estados do país, a empresa anunciou ontem a compra da rede catarinense Polipetro e prepara a aquisição de mais duas distribuidoras até o fim do ano.

" A Polipetro se ajusta à nossa estratégia de aquisições, cujo alvo são redes de abrangência regional que operam com bandeira própria e fornecem, ao mesmo tempo, combustíveis a postos independentes " , disse Jucelino Sousa, vice-presidente da AleSat. " Temos em andamento negociações com mais duas distribuidoras, a serem concluídas ainda neste ano " , acrescentou o executivo, sem dar mais detalhes sobre as transações, que estão sendo assessoradas pelo Bradesco.

O desembolso em aquisições, que não foi informado, não está incluído no plano de expansão traçado pela AleSat, que contempla aporte de R$ 250 milhões na abertura de mais 1.019 postos até 2012 - praticamente dobrando o tamanho atual da rede.
Somente na expansão orgânica, a mineira AleSat está investindo R$ 73,5 milhões para abrir 240 postos até dezembro. Com as aquisições, esse número subirá para 500 ainda neste ano.

Controlada pelo grupo paulista Vibrapar, a Polipetro conta com 130 postos de combustível localizados em 110 cidades de Santa Catarina e do Paraná. Abastece ainda outros 1,3 mil postos de " bandeira branca " , sem vinculação com distribuidoras. Além disso, são seus clientes grandes consumidores, como empresas de transporte público e de cargas, companhias de pesca e fazendas nos dois estados da região Sul. São aproximadamente 20 milhões de litros de combustível ao mês, sendo que 50% desse suprimento são referentes a óleo diesel.

Com a compra da Polipetro, a AleSat dá uma salto no Sul do Brasil - mercado em que tinha ainda baixa participação do grupo mineiro. Dos 1,2 mil postos com a sua bandeira em todo país, apenas 28 estavam localizados naquela região: 22 no Paraná e outros seis em Santa Catarina.

No programa de expansão orgânica, a AleSat reservou R$ 20 milhões a serem aplicados na região Sul até 2012, para a abertura de 316 postos, sendo que 136 em Santa Catarina, 95 no Paraná e mais 85 no Rio Grande do Sul. Essa distribuição geográfica vai ser reconfigurada agora, após a compra da Polipetro. " Vamos avaliar o planejamento inicial, buscando reforçar o Rio Grande do Sul e o Paraná " , disse Sousa.

Para suprir as suas operações na região, a AleSat já conta com seis bases distribuidoras: três no Paraná (Araucária, Cascavel e Londrina), duas em Santa Catarina (Biguaçu e Itajaí) e uma no Rio Grande do Sul (Esteio).
Sediada em Itajaí, a Polipetro começou a operar em 1996 e faturou, no ano passado, R$ 500 milhões. A AleSat, por sua vez, tem receita de R$ 6 bilhões ao ano e distribui cerca de 300 milhões de litros de combustível a cinco mil clientes - sendo 3,8 mil postos de " bandeira branca " e grande consumidores. Opera ainda 45 bases de distribuição.

Agora ex-proprietários da Polipetro, o grupo Vibrapar também detém a distribuidora de combustíveis Viabrasil. A rede conta com cerca de 100 postos localizados na capital e no interior paulista. A holding controla ainda a Univen Petroquímica, localizada em Itupeva (SP), que produz solventes a partir do processamento de condensado de petróleo, e a Midas, que além de borrachas, produz uma linha de solventes - como thinner, querosene e aguarrás. O grupo paulista não quis comentar a venda da Polipetro.
(Danilo Jorge | Valor Econômico)


Governo paulista confirma fábrica da Hyundai em Piracicaba
Valor Online
18/09/2008

O governo do Estado de São Paulo confirmou hoje que o município de Piracicaba vai abrigar a nova fábrica de veículos da Hyundai Motors, conforme antecipou o Valor em reportagem publicada no dia 10 de setembro. A montadora sul-coreana ainda não anunciou oficialmente os modelos que irá produzir e nem a capacidade da fábrica.

No âmbito de um programa específico para o setor, o governo paulista irá liberar a empresa do recolhimento do ICMS incidente sobre "a importação de mercadorias, equipamentos, partes e peças, sem similar nacional, destinados à integração no ativo permanente". Também serão apoiadas pelo governo as negociações da Hyundai para obtenção de financiamento com o BNDES e com a Nossa Caixa.

Por sua vez, a montadora se comprometeu a priorizar o mercado paulista na aquisição de autopeças e dos bens de capital necessários à implantação da unidade industrial.
Com a Hyundai, chega a nove o número de montadoras de automóveis instaladas em São Paulo. Recentemente, a japonesa Toyota anunciou que irá construir uma fábrica na região de Sorocaba.
(Murillo Camarotto | Valor Online)

EPE prevê que exportações de etanol vão dobrar em dez anos
Valor Online
24/09/2008

RIO - A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) acredita que as exportações de álcool combustível do Brasil duplicarão nos próximos dez anos. De acordo com estudo divulgado hoje, as exportações, que este ano devem chegar a 4,2 bilhões de litros, chegarão a 8,3 bilhões de litros em 2017.
O presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, ressalta que as legislações de diversos países prevêem o aumento do consumo de etanol para os próximos anos. Nos Estados Unidos está prevista a substituição do MTBE como aditivo à gasolina, o que pode abrir espaço para o uso do álcool como a aditivo, além de haver a obrigação de que se atinja o consumo de 91 bilhões de litros de etanol em 2017. Na Europa, a meta é que os biocombustíveis representem 5% da matriz energética em 2015 e 10% em 2020.
Apesar dessas determinações legais, a expectativa da EPE é de que o Japão puxe o salto das exportações brasileiras. A projeção é de que o país asiático compre 3 bilhões de litros do Brasil em 2017. Tolmasquim lembra que, apesar de a legislação japonesa sobre o setor ainda não estar pronta, já há projetos no Brasil nos quais empresas japonesas tem investimentos em usinas com vistas à exportação.
"Esse cenário (de exportação) é conservador. O potencial do mercado interno no Brasil é muito grande e esse crescimento é que será o real limitador das exportações, ao invés das limitações externas", frisa Tolmasquim.
A EPE lembra ainda que há grandes projetos de alcooldutos em estudo. Hoje, a rede de dutos comporta 1,9 milhão de metros cúbicos do produto, que podem ser acrescidos por projetos em andamento ou em estudo para transporte de outros 9,3 milhões de metros cúbicos. "Há uma grande infra-estrutura sendo montada para exportação", afirma Tolmasquim.
Segundo ele, o cenário não leva em consideração a possibilidade de o etanol virar uma commodity internacional, com cotação em bolsas de valores. As expectativas da EPE são montadas a partir da possibilidade de acordos bilaterais de exportação entre o Brasil e países interessados no produto nacional.
"Tornar o etanol uma commodity é algo difícil. O gás natural tem muito mais mercado e ainda não é uma commodity, apesar do GNL (gás natural liquefeito)", diz Tolmasquim. "Para que isso ocorra, deve haver mais países produtores de etanol", acrescenta.
(Rafael Rosas | Valor Online)

Brasil deve investir até US$ 25 bi em etanol para sustentar demanda
Valor Online
24/09/2008

RIO - A demanda brasileira por etanol deve subir 150% nos próximos dez anos, saltando dos 25,6 bilhões de litros estimados para este ano para 63,9 bilhões de litros em 2017, de acordo com dados divulgados hoje pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Para fazer frente a esse crescimento são esperados investimentos entre US$ 20 bilhões e US$ 25 bilhões, para construção de 246 novas usinas produtoras no período.
Segundo o estudo apresentado hoje, a demanda será concentrada no abastecimento de veículos, que deve demandar 53,2 bilhões de litros de álcool (anidro e hidratado) em 2017, contra 20,3 bilhões de litros projetados para este ano. Outros 8,3 bilhões de litros serão exportados em 2017, contra vendas externas de 4,2 bilhões de litros em 2008, enquanto 2,4 bilhões de litros serão destinados a outros usos - principalmente industrial -, contra 1,1 bilhão de litros este ano.
O presidente da EPE, Mauricio Tolmasquim, ressalta que a demanda por álcool combustível crescerá ainda mais rápido que a média prevista para o mercado. A alta esperada é de 165%, puxada pelo sucesso dos automóveis flex fuel no país.
Atualmente, os veículos de passeio flex fuel novos representam 93,5% do total de carros de passeio zero quilômetro que são vendidos no país. A EPE acredita que esse patamar será mantido até 2017.
"Hoje, 75,5% dos consumidores que têm carro flex fuel abastecem com álcool e nós consideramos que esse nível também vai ser mantido", destaca Tolmasquim.
A expectativa da EPE é de que o parque de veículos leves de quatro rodas não movidos a diesel crescerá das atuais 23,23 milhões de unidades para 37,12 milhões de unidades em 2017. Ao mesmo tempo, a fatia desse mercado dominada pelos flex fuel passará de 29,6% para 73,6% do total.
Tolmasquim explica que a trajetória esperada para os preços dos combustíveis também aponta que o álcool continuará mais vantajoso que a gasolina para o consumidor final. No nível de preços atual, o litro de álcool é vendido por cerca de 59% do preço do litro de gasolina, sendo que o valor deve estar abaixo de 70% do valor da gasolina para ser mas vantajoso.
"O etanol é mais vantajoso com o barril do petróleo a US$ 75 e nós não achamos que o petróleo vai ficar abaixo desse valor. Podemos dizer com certeza que o álcool continuará mais competitivo", afirma, lembrando que estudo elaborado pela EPE prevê que o preço do barril de petróleo vá oscilar em torno de US$ 75 em 2015.
(Rafael Rosas | Valor Online)

Para Lobão, Brasil será exportador de gás natural
Valor Online
15/09/2008

RIO - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, acredita que o Brasil caminha para a auto-suficiência no setor de gás natural, mas observou que a compra do produto da Bolívia não será abandonada. De acordo com o ministro, o Brasil alcançou um " patamar invejável " no cenário internacional do setor e afirmou que, no futuro, o país deverá aproveitar oportunidades de exportação de gás natural. Ele não fez previsões, contudo, sobre quando se poderá exportar gás no país.
" Seguramente seremos auto-suficientes de gás. Seguramente teremos mais condições de exportar do que a Bolívia, sobretudo por causa das nossas condições geográficas aqui. Além disso, poderemos usar o GNL (Gás Natural Liquefeito) também " , disse o ministro, que participou hoje da abertura da Rio Oil & Gas, no Rio de Janeiro.
Lobão afirmou ainda que o plano de construção de usinas nucleares será ajustado no futuro para geração de até 60 mil megawatts a partir dessa fonte de energia dentro dos próximos 50 anos. Na semana passada, o ministro disse que o país pode construir até 50 usinas nucleares em 50 anos. Atualmente, há uma usina em construção, Angra 3, e o planejamento para montagem de mais quatro, duas no Sudeste e duas no Nordeste.
" Vamos reajustar, rearrumar isso tudo, nosso plano de 30 anos. A França fez 58 mil MW em energia nuclear há 30 anos, então, porque não poderemos fazer isso em 50 anos " , ponderou.
(Rafael Rosas | Valor Online)

 

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