E vai rolar a festa...

Correio Braziliense, domingo, 7 de dezembro de 2003


Ficar de fora do amigo secreto pega mal, por isso, entre no clima e participe da confraternização, ainda que o seu sorteado seja aquele chefe ranzinza

Fim de ano chegando, festa de confraternização à vista. E os mais animados da empresa logo aparecem com a idéia de fazer a brincadeira do amigo secreto. O objetivo é integrar, comemorar. Renata de Abreu da Rocha, 38 anos, sabe disso. Mesmo assim, sempre se esquivou de participar. "Quando eu não estava de férias, arrumava um jeitinho de escapar", conta. "Ficava envergonhada porque geralmente não tinha muito entrosamento com o grupo."

Inibição e timidez, porém, não são as únicas barreiras que os profissionais enfrentam nessas horas. É que, muitas vezes, só de pensar na idéia de ter o chefe ou aquele colega ranzinza como amigo secreto, as mãos já começam a suar. No entanto, seja qual for o motivo da aflição Cristina Reininger afirma que o melhor é participar. "Além de ser político, é um canal para ampliar os seus contatos na empresa", diz a consultora da Manager Assessoria em Recursos Humanos.

Ciente de importância do evento, você ainda não se convenceu de entrar na brincadeira? Então avise com antecedência a quem estiver organizando e arrume uma explicação convincente. Esse é o conselho de Elaine Fernandes, uma das sócias da CROSSING – Recrutamento e Recolocação Profissional de Executivos. "Encontre um bom motivo. Se é por questão religiosa ou perda de algum parente, as pessoas costumam entender", explica. Caso contrário, o profissional pode ser mal-interpretado e ficar com o estigma de anti-social."

Inimigo à vista
Totalmente à vontade com a equipe do banco em que trabalha, esta é a primeira vez que Renata participa de um amigo oculto com os colegas de batente, depois de 20 anos de carreira em diversas organizações. Na experiência de estréia, a preocupação foi dupla. Além do presente do amigo oculto, ela teve que se desdobrar para comprar o "agrado" do inimigo secreto. Idéia de Tauana, uma das organizadoras da confraternização, a brincadeira segue o mesmo modelo da versão convencional. Só que o presente, no caso, é de grego. Para Luiz Eduardo Gusmão, colega de departamento de Renata, a brincadeira do inimigo secreto também é novidade. No entanto, não será a primeira vez que o presente recebido o desaponta. Quando trabalhava na IBM, Luiz Eduardo, que curte rock desde a adolescência, ganhou um disco de músicas religiosas. "Agradeci, disse que havia gostado muito", conta ele, rindo. "Não sei se o colega queria me converter ou se escolheu de acordo com o próprio gosto."

Falta de sorte

Camisa em que cabiam quatro Luiz Eduardo, perfume do qual não gostava. Depois de tantos presentes "tranqueira" recebidos nas festas de final de ano de trabalho, ele diz que já não se incomoda com a falta de sorte. "Acabo repassando para amigos, familiares, que ficam satisfeitos com a lembrança", diz. Na opinião dele, o mais importante é aproveitar o momento de descontração para estreitar os laços com os colegas.
Apesar do clima de festa, muitas vezes fica difícil esconder a frustração ao rasgar o embrulho. Para não correr o risco de desagradar ao inimigo secreto – e ganhar um inimigo no trabalho - , prefira presentes mais básicos. "Objetos de decoração, porta-retratos, CDs, caso conheça o gosto musical do outro, são boas opções", recomenda Elaine, da Crossing. Quanto ao valor a ser desembolsado, a regra é comprar algo dentro do preço estabelecido. "Exageros para mais ou para menos, pegam mal", alerta Cristina.

A ORDEM É CELEBRAR

Participe do amigo secreto, mesmo que não esteja com muita vontade. Profissionais que se recusam correm o risco de serem vistos por chefes e colegas como anti-sociais, imagem nada boa no meio organizacional
Avise com antecedência caso decida não entrar no amigo oculto, a quem está organizando a brincadeira. Mas tenha motivos bem convincentes, senão vai ficar com fama de ranzinza ou de desmancha prazeres

Aceite o que a sorte lhe reservou. Não tente trocar o amigo secreto com alguém. Mesmo porque essa atitude pode ser mal-interpretada pela pessoas que recebe a proposta
Prefira, na hora de comprar, presentes impessoais, como objetos de decoração, porta-retratos. Arrisque um CD ou livro, caso conheça o gosto do amigo secreto. Exclua da lista itens muito particulares, como lingeries, perfumes

Dê presentes dentro do valor estabelecido para a brincadeira. Quem exagera no preço do agrado pode parecer puxa-saco ou exibido. Economizar demais, porém, é a deixa para ser tachado de pão-duro
Dedique-se com carinho à brincadeira, seja quem for o seu amigo oculto. Não importa se você tirou o chefe, o colega de que gosta muito ou aquele chato com quem já andou trocando algumas farpas. Esforce-se para ser agradável