Todo profissional há de concordar que trabalhar em uma
organização cheia de ferramentas que facilitam o
dia-a-dia é uma maravilha. Ter um celular à disposição
em viagens de negócio, contar com um carro da empresa para
fazer o trajeto casa escritório, poder se aprimorar
em cursos oferecidos pela firma. Esse mundo perfeito, no entanto,
pode rapidamente se tornar um problema se faltar algo simples
e essencial na personalidade do funcionário: bom senso.
A linha entre o uso correto das ferramentas de trabalho e o abuso
não é tão tênue. Mas ultrapassá-la
pode ser tentador. Algumas mãos coçam quando estão
com o celular da empresa nas mãos, cheias de vontade de
ligar para aquele amigo que mora longe sem ter de se espantar
com a conta no final do mês. E os pés? Entusiasmam-se
em pisar no acelerador do carro e, em vez de seguir o caminho
do lar, teimam em descobrir o rumo do bar mais próximo.
Consultora da empresa paulista de recursos humanos Carrier Center,
Tânia Cristina Piçarra alerta que a imagem do profissional
fica altamente comprometida depois de deslizes como esses. Hoje,
além da competência técnica, a comportamental
é de extrema importância, alerta. O
mínimo que se espera de um profissional que pode usufruir
dos benefícios da organização é maturidade.
Portanto, vale seguir o conselho de Rose Mary Vargas Guidi, psicóloga
e analista de Recursos Humanos da Spot, empresa brasiliense de
consultoria em recursos humanos. Tenha em mente que
o carro que você está usando não é
seu. O celular também não, ensina. Eles
são apenas ferramentas para que o trabalho possa fluir
melhor.
Alguns outros benefícios entram na lista dos causadores
de problemas. Por exemplo: ter um office boy à disposição
para resolver questões mais burocráticas pode ser
uma mão na roda. Rose avisa, entretanto, que ninguém
tem o direito de sobrecarregar o rapaz com serviços que
passam longe das obrigações profissionais. Pagar
conta de telefone, levar os filhos do patrão à escola,
buscar um lanche, enumera. Abusos não
faltam.
O uso de notebooks do patrão também merece alguns
cuidados. Para Regina Scaciotti, sócia-diretora da empresa
paulista de RH Crossing, o aparelho é essencial para a
comunicação entre o funcionário e a firma,
principalmente se o profissional viaja bastante. Mas
é preciso lembrar que navegar horas pela internet e ficar
usando o e-mail da empresa para assuntos particulares não
são atitudes corretas, adverte.
Até mesmo antes de se inscrever em cursos oferecidos pela
empresa vale tomar alguns cuidados para não acabar sendo
mal-interpretado. Isso porque o funcionário que se inscreve
em todo e qualquer curso que aparece pela frente pode dar a impressão
de estar fugindo do trabalho. Mais seguro é se limitar
a palestras e workshops ligados à área de atuação.
Assim não corre o risco de ocupar a vaga de um colega de
trabalho que realmente precisa fazer o curso.
Se ainda assim aquele diabinho dos desenhos animados que
fica brigando com o anjinho insistir em soprar idéias
ruins no seu ouvido, lembre-se de que é muito fácil
para a empresa descobrir se o profissional andou abusando no uso
de algum benefício. Controle da quilometragem do carro,
rastreamento de ligações e e-mails, listagem de
participantes de cursos. Fuja do constrangimento de ficar conhecido
como uma pessoa sem escrúpulos, que só pensa em
tirar proveito pessoal de tudo.
Questão de bom senso
Faça a coisa certa
- Atitudes
que mostram sensatez na hora de usufruir dos benefícios
oferecidos pela empresa
- Ligar
do celular da empresa apenas quando tiver assuntos profissionais
a tratar
- Utilizar
o carro da firma apenas no trajeto combinado, que
geralmente inclui casa e faculdade
- Recorrer
ao notebook da instituição apenas quando for necessário
enviar documentos e materiais para o escritório. E usar
o e-mail da empresa somente para assuntos relativos ao trabalho
- Participar
apenas dos cursos relacionados à área de atuação
que realmente ofereçam um aprendizado útil à
carreira
- Pedir
ao office boy que faça somente serviços relacionados
ao trabalho na empresa