A postura é
de especialista. Profissional assertivo é assim. Tão
seguro de si que parece não se abalar mesmo diante da pior
das encrencas. Quando bem dosado, afirmam especialistas de recursos
humanos, esse comportamento só gera benefícios.
Afinal, em tempos de mercado globalizado, quem titubeia diante
de compromissos profissionais corre grandes riscos de amargar
uma venda perdida, um projeto renunciado, uma parceria não
firmada.
"Os empresários querem respostas rápidas",
sentencia Emmily Paschoal, do Instituto de Integração
Homem-Trabalho (Insight). "E o profissional assertivo faz
isso. Vai direto ao ponto sem rodeios, sem achismo." Segundo
a consultora, a competência é tão valorizada
pelos empregadores que tem espaço garantido nas seleções
de pessoal. Por meio de testes psicológicos e dinâmicas
de grupo, o recrutador é capaz de descobrir quem são
os candidatos
que dormem no ponto.
Aqueles que, por exemplo, passam todo o tempo concordando com
a opinião dos concorrentes estão longe do grupo
dos assertivos. "Se ele ti ver que tomar uma decisão
urgente, como irá se comportar?", pergunta Emmi ly
. "Essas pessoas acabam se prejudicando nas disputas pelas
vagas." Os prejuízos também se estendem aos
profissionais que não engordam as estatísticas do
desemprego. Por falta de combustão, eles correm o risco
de protagonizar uma rotina profissional recheada de lamúrias.
Quando não sofrem com os possíveis efeitos de atitudes
inadequadas, queimam neurônios planejando formas de exibir
a eficiência.
"Ao deixar de ser espontânea, a pessoa também
abre mão da assertividade", afirma Suely Pavan, da
Palestrarte. Segundo a consultora, a naturalidade é companheira
inseparável dos criativos. Cheios de boas idéias,
esses profissionais normalmente dão soluções
rápidas para os problemas que afligem as organizações.
Tornam-se indispensáveis, apontam consultores de recursos
humanos, porque conhecem a fundo todos os processos que são
vitais para o funcionamento da empresa.
"
É difícil uma pessoa ser assertiva em
tudo o que faz", ressalta Rosangela Guedes, diretora da Crossing
Recursos Humanos. "Ela só se destaca quando conhece
bem o universo em que está inserida." A consultora
aponta a curiosidade como o pontapé inicial de uma postura
assertiva. No jogo, no entanto, a ginga não deve ficar
de fora. Sem bom senso, a postura tida como acertada pode se transformar
em um atestado de antipatia.
"A relação não pode ser impositiva ou
até mesmo agressiva", alerta Rosangela. "O profissional
assertivo tem de ser firme no que faz , mas consciente de que
não é o dono da verdade."
O excesso de segurança é ainda mais essencial quando
a situação mexe com o lado emocional dos colegas
de trabalho. Segundo Emmily, mesmo mal-interpretada, a assertividade
pode virar um instrumento de crescimento pessoal em situações
delicadas. "Objetividade e camuflagem não combinam",
ressalta a consultora. "
É mais proveitoso o
funcionário ouvir do chefe que será demitido por
não cumprir os prazos do que achar que sua saída
é em razão de cortes nos gastos da empresa."