Autocrítica e iniciativa são essenciais

Revista Já, São Paulo 2 de novembro de 2003


A psicóloga Rosangela Guedes de 43 anos, trabalha com recrutamento & seleção em recursos humanos há 14 anos. Sócia da Crossing Recrutamento & Seleção de Executivos, empresa que criou com a irmã Sandra, há sete anos, ela tem uma boa notícia para quem não conseguiu entrar nas faculdades de referência: "Sempre é possível corrigir o ruma da formação acadêmica".

O que o estudante deve levar em conta na hora de escolher seu curso superior?
Inegavelmente , tem as faculdades de primeira linha. O estudante deve levar em conta que nível de curso fez no segundo grau, para ter expectativas realistas. Deve tentar se inscrever e ser aprovado numa universidade de primeira linha.

E se isso não for possível?
Antes de ver se tem renome, o estudante deve fazer uma análise realista de seu curso de segundo grau. Também é preciso ver o custo do curso. As faculdades de renome são caras. Então, em primeiro lugar, seja realista sobre o seu curso de segundo grau e possibilidades financeiras. Dentro disso, tente escolher a melhor faculdade. Se ainda puder, deve ver a região. Outra coisa: prestar para o período noturno. Estudar de dia complica muito o começo da carreira, porque as empresas sempre querem estagiários em período integral, principalmente nas carreiras de negócios. Se começar o estágio no final do curso, fica prejudicado em relação aos que começaram desde o começo.

Experiência prática é essencial desde o começo?
O estudante que faz estágio, se fosse numa corrida de cavalos, ele sairia com a cabeça toda na frente, em relação ao que não fez. O mercado procura experiência até no estagiário. Ou pelo menos procura um recém formado que tenha feito um bom estágio.


Acaba sendo um círculo vicioso. Bons cursos levam a bons estágios, que por sua vez levam a bons empregos...
Sempre é possível fazer uma correção de curso. Se o estudante está cursando uma faculdade que não está entre as primeiras, mediana, não deve se desesperar. Pode fazer a correção na pós, já graduado, trabalhando. Ele pode corrigir e o mercado aceita bem isso, inclusive tira conclusões. Isso indica que o profissional tem autocrítica e iniciativa.

As características pessoais são determinantes?
Elas definem uma contratação. A formação acadêmica leva até a possibilidade de colocação, o que define ser contratado é a pessoal. Como vai se relacionar, atitude diante de conflitos, energia, iniciativa, entusiasmo, disponibilidade, dedicação. Cem por cento das contratações dependem de características pessoais. Você nunca tem o candidato perfeito. Como a formação pode ser facilmente corrigida, o que é mais levado em conta são as características pessoais.